O 8 de Março em números: avanço no emprego esbarra na desigualdade salarial e na violência na Bahia.
Neste Dia Internacional da Mulher, os dados econômicos e sociais da Bahia revelam um cenário de contrastes. Se por um lado as mulheres lideram a criação de vagas no mercado de trabalho formal, por outro, a disparidade de renda, a dupla jornada e os altos índices de violência evidenciam os obstáculos estruturais que ainda marcam […]
Neste Dia Internacional da Mulher, os dados econômicos e sociais da Bahia revelam um cenário de contrastes. Se por um lado as mulheres lideram a criação de vagas no mercado de trabalho formal, por outro, a disparidade de renda, a dupla jornada e os altos índices de violência evidenciam os obstáculos estruturais que ainda marcam o 8 de março. Em Alagoinhas, onde o público feminino compõe a maioria demográfica, o panorama reflete a urgência de políticas de equidade.
O protagonismo feminino na economia baiana é atestado pelos números oficiais. O estado encerrou 2025 com um saldo positivo superior a 94 mil novos postos de trabalho com carteira assinada. Desse total, mais da metade — 51 mil vagas — foi ocupada por mulheres, com concentração expressiva nos setores de serviços e comércio, pilares da dinâmica econômica de municípios como Alagoinhas.
Apesar da vanguarda na conquista de empregos e do maior nível de escolaridade, a equiparação financeira permanece distante. Levantamento divulgado neste mês de março pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) aponta que o rendimento médio da mulher baiana é de R$ 2.033,96. O valor corresponde a apenas 83,3% do rendimento masculino, fixado em R$ 2.440,63.
A desvantagem econômica é aprofundada pela divisão desigual do trabalho invisível. No Nordeste, as mulheres dedicam, em média, 23,5 horas semanais aos cuidados de pessoas e aos afazeres domésticos — uma jornada praticamente duas vezes maior que a dos homens. Essa sobrecarga atua como um limitador direto para a ascensão profissional e a qualificação.
No âmbito da segurança pública, o crescimento dos registros indica tanto um estado de alerta quanto o rompimento do silêncio por parte das vítimas. O balanço do Ligue 180 registrou um aumento de 42% nos atendimentos na Bahia, saltando de cerca de 44 mil em 2023 para mais de 63 mil ligações em 2024. As denúncias efetivas de violência cresceram 11,6%. No mesmo período, o estado contabilizou 111 feminicídios, o que significa que duas a cada cinco mulheres mortas de forma violenta foram vítimas desse crime.
Com uma população de pouco mais de 151 mil habitantes registrada no último Censo, Alagoinhas ilustra a necessidade de territorializar essas estatísticas. A maioria feminina no município é a força motriz do comércio central e da gestão de pequenos negócios. O 8 de março, portanto, exige que a reflexão vá além da data comemorativa e se concentre na análise crítica das condições de vida, segurança e trabalho da mulher baiana.