terça-feira, 9 de junho de 2026
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Justiça inicia julgamento de réus pelo assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete.

Nesta segunda-feira (13), a Justiça da Bahia deu início ao julgamento de dois dos acusados pelo homicídio da líder quilombola e ialorixá Maria Bernadete Pacífico Moreira, nacionalmente conhecida como Mãe Bernadete. A sessão ocorre no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, e tem no banco dos réus Arielson da Conceição Santos — que confessou o crime […]

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Por Paulo Pinheiro 13 de abril de 2026 às 20:16 · 3 min de leitura

Nesta segunda-feira (13), a Justiça da Bahia deu início ao julgamento de dois dos acusados pelo homicídio da líder quilombola e ialorixá Maria Bernadete Pacífico Moreira, nacionalmente conhecida como Mãe Bernadete. A sessão ocorre no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, e tem no banco dos réus Arielson da Conceição Santos — que confessou o crime e encontra-se detido — e Marílio dos Santos, considerado foragido pelas autoridades.

O crime ocorreu em 17 de agosto de 2023, quando a ativista, aos 72 anos, foi executada com 25 tiros no interior de sua residência, situada no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, região metropolitana de Salvador. A dinâmica do atentado envolveu a invasão da comunidade por homens armados, que mantiveram familiares da vítima como reféns. Os réus respondem por homicídio qualificado, caracterizado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima, além do uso de armamento de uso restrito. Arielson também é julgado pelo crime de roubo. O tribunal do júri, inicialmente previsto para fevereiro, precisou ser remarcado devido a um pedido de substituição na equipe de defesa.

Do lado de fora do fórum, o início da sessão foi marcado por protestos pacíficos de familiares, amigos e membros do movimento negro. A expectativa da assistência de acusação, representada pelo advogado Hédio Júnior, e de Jurandir Pacífico, filho da ialorixá, é a condenação à pena máxima. A acusação sustenta que o conjunto probatório é irrefutável, amparado por quebras de sigilo telefônico, rastreamento de antenas, laudos balísticos e a própria confissão de um dos executores.

Mãe Bernadete era uma figura central na Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas. Sua trajetória foi marcada pela defesa intransigente dos direitos humanos, proteção territorial e combate ao racismo. A ialorixá cobrava ativamente a resolução do assassinato de seu outro filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, o “Binho do Quilombo”, morto em 2017 por defender as mesmas causas. Apesar de integrar o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos do governo federal e de denunciar ameaças recorrentes, o Estado falhou em resguardar sua vida.

Outros três denunciados pelo Ministério Público do Estado da Bahia — Josevan Dionísio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus e Ydney Carlos dos Santos de Jesus, este último apontado como o mandante da execução — ainda aguardam a definição da data em que serão submetidos a júri popular.

Fonte: Agência Brasil

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