sábado, 7 de novembro de 2026
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Ofensiva de Israel atinge 129 unidades de saúde no Líbano em 45 dias.

Em um mês e meio de conflito, a campanha militar de Israel no Líbano resultou em danos a 129 instalações médicas e na morte de 100 profissionais de saúde. Os bombardeios atingiram 116 ambulâncias e forçaram o fechamento de seis hospitais. O Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) classificou a situação […]

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Por Paulo Pinheiro 17 de abril de 2026 às 15:37 · 3 min de leitura

Em um mês e meio de conflito, a campanha militar de Israel no Líbano resultou em danos a 129 instalações médicas e na morte de 100 profissionais de saúde. Os bombardeios atingiram 116 ambulâncias e forçaram o fechamento de seis hospitais. O Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) classificou a situação como uma grave violação do direito internacional, alertando que a destruição compromete severamente o acesso da população aos serviços de emergência.

O governo de Israel justifica as ações sob o argumento de que o grupo xiita Hezbollah utiliza a infraestrutura civil e hospitalar para abrigar operações militares. A alegação, contudo, é sistematicamente contestada por entidades de direitos humanos e analistas em geopolítica no local. Pela Convenção de Genebra e pelo direito internacional humanitário, ataques indiscriminados contra centros médicos e áreas residenciais configuram crimes de guerra.

O custo humano da ofensiva é alto. Segundo balanço do Ministério da Saúde libanês, 2.294 pessoas morreram — incluindo ao menos 177 crianças — e cerca de 7,5 mil ficaram feridas. A crise também se reflete na paisagem urbana do país: o Conselho Nacional de Pesquisa Científica do Líbano (CNRS) estima que quase 38 mil residências foram destruídas, com uma escalada rápida de danos concentrada sobretudo nos subúrbios da capital, Beirute. Pelo menos sete jornalistas também foram mortos ao longo da cobertura.

A intensidade dos ataques provocou uma crise sem precedentes de deslocamento interno. Mais de 1,2 milhão de libaneses, ou cerca de 15% de toda a população nacional, foram forçados a abandonar suas casas. Analistas locais apontam que a tática de terra arrasada visa pressionar psicologicamente a sociedade civil e forçar o esvaziamento em massa do sul do Líbano, estratégia que alguns especialistas caracterizam como limpeza étnica.

O objetivo estratégico declarado pelo governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu é o estabelecimento de uma zona tampão despovoada até o Rio Litani, a cerca de 30 quilômetros da fronteira com o território israelense. Para consolidar o isolamento do sul libanês, as Forças de Defesa de Israel bombardearam pontes cruciais de acesso, e autoridades de Defesa proibiram expressamente o retorno de civis. Em meio à vigência de um cessar-fogo temporário, os deslocados enfrentam abrigos lotados e um cenário de absoluta incerteza sobre a possibilidade de reconstrução de suas antigas comunidades.

Fonte: EBC

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