segunda-feira, 21 de setembro de 2026
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Apostas online retiram R$ 143 bilhões do comércio e agravam inadimplência, diz CNC.

BRASÍLIA – O avanço das apostas eletrônicas, conhecidas como bets, retirou R$ 143 bilhões do comércio varejista brasileiro entre janeiro de 2023 e março de 2026. O montante, que equivale ao volume total de vendas de dois períodos natalinos somados (2024 e 2025), reflete o impacto direto do setor de jogos sobre o orçamento doméstico. […]

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Por Paulo Pinheiro 29 de abril de 2026 às 14:29 · 2 min de leitura

BRASÍLIA – O avanço das apostas eletrônicas, conhecidas como bets, retirou R$ 143 bilhões do comércio varejista brasileiro entre janeiro de 2023 e março de 2026. O montante, que equivale ao volume total de vendas de dois períodos natalinos somados (2024 e 2025), reflete o impacto direto do setor de jogos sobre o orçamento doméstico. Os dados constam em análise econométrica divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Segundo a entidade, os gastos com as plataformas digitais superaram a marca de R$ 30 bilhões por mês no período analisado. O estudo aponta que o redirecionamento desses recursos comprometeu a capacidade de pagamento das famílias, podendo ter levado 270 mil lares à situação de inadimplência severa — caracterizada por atrasos superiores a 90 dias.

Para a CNC, o cenário configura um risco sistêmico para a economia. O economista-chefe da confederação, Fabio Bentes, explica que o endividamento força as famílias a sacrificarem o consumo de bens não essenciais e, em casos mais graves, até itens básicos. A vulnerabilidade é maior entre homens, famílias com renda de até cinco salários mínimos e pessoas com escolaridade acima do nível médio.

Impacto macroeconômico

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, defende maior rigor na regulação do mercado de apostas e limites à publicidade do setor. De acordo com a confederação, atualmente 80,4% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida, patamar que se mantém elevado desde o salto registrado entre 2019 e 2022.

Enquanto nas classes mais baixas as bets aprofundam o endividamento global, nas famílias de maior renda o gasto com jogos tem funcionado como um substituto para outras modalidades de despesa, embora também resulte em atrasos nos compromissos financeiros.

Contraponto

Em resposta aos dados, o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que representa as plataformas legalizadas, notificou a CNC pedindo acesso à metodologia do estudo. O órgão classificou as conclusões como “alarmistas” e afirmou que os números divergem das métricas oficiais.

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) também contestou o levantamento, argumentando que a análise da CNC ignora a natureza multifatorial do endividamento no Brasil e apresenta dados que não condizem com os registros do governo e do setor.

Fonte: EBC

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