Bruxelas – A União Europeia (UE) iniciou preparativos para uma retaliação econômica em larga escala contra os Estados Unidos, em resposta às recentes ameaças do presidente Donald Trump. O bloco europeu avalia a imposição de tarifas sobre € 93 bilhões (aproximadamente R$ 580 bilhões) em produtos norte-americanos, caso a Casa Branca avance com a cobrança de sobretaxas a países aliados.
A crise diplomática escalou neste fim de semana, após Trump anunciar que, a partir de 1º de fevereiro de 2026, imporia tarifas de 10% — com possibilidade de aumento para 25% em junho — sobre importações de oito nações europeias: Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia.
A justificativa de Washington gira em torno da recusa desses países em apoiar a intenção dos EUA de adquirir ou controlar a Groenlândia, território autônomo dinamarquês, além do envio recente de tropas europeias para a região do Ártico, o que Trump classificou como uma afronta à segurança nacional americana.
Principais pontos da reação europeia:
- Reunião de Emergência: Embaixadores dos 27 países membros da UE reuniram-se em Bruxelas no domingo (18) para alinhar uma resposta conjunta. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, convocou uma cúpula extraordinária para tratar do tema.
- Instrumento Anticoerção: Além das tarifas diretas, o bloco debate ativar pela primeira vez sua “arma comercial” mais potente: o instrumento anticoerção. A medida permitiria restringir o acesso de empresas americanas a licitações públicas e ao mercado de serviços europeu.
- Unidade do Bloco: Líderes europeus, incluindo o presidente francês Emmanuel Macron, classificaram a atitude de Trump como “chantagem” e “inaceitável”. Em nota conjunta, as nações afetadas afirmaram que as ameaças minam a estabilidade transatlântica e a segurança da OTAN.
O mercado financeiro reagiu negativamente à possibilidade de uma nova guerra comercial, com bolsas europeias operando em queda e investidores buscando refúgio em ativos seguros. Enquanto diplomatas tentam uma solução de última hora antes do prazo de fevereiro, a retórica de Washington permanece agressiva, com o Tesouro americano sugerindo que a Europa “projeta fraqueza” ao não ceder às demandas territoriais sobre o Ártico.
Paulo Pinheiro – O Instante