segunda-feira, 4 de maio de 2026
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Pobreza atrasa desenvolvimento motor de bebês a partir dos seis meses.

Estudo da UFSCar aponta que restrições financeiras limitam repertório de movimentos; interação familiar e estímulos simples revertem quadro rapidamente. Jornal O Instante | 16 de fevereiro de 2026. As privações socioeconômicas impactam o desenvolvimento infantil muito antes do período escolar. Uma pesquisa da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) revela que bebês de famílias em […]

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Por Paulo Pinheiro 16 de fevereiro de 2026 às 10:02 · 3 min de leitura
“Não são brinquedos caros que impulsionam o desenvolvimento! O ‘tummy time’, papel amassado e chocalhos feitos em casa podem ser ferramentas poderosas. Nossa matéria destaca como estímulos acessíveis, somados à interação familiar, são cruciais para reverter atrasos no desenvolvimento motor de bebês. #DicasParaPais #EstimuloInfantil #TummyTime #MaternidadeReal”

Estudo da UFSCar aponta que restrições financeiras limitam repertório de movimentos; interação familiar e estímulos simples revertem quadro rapidamente.

Jornal O Instante | 16 de fevereiro de 2026.

As privações socioeconômicas impactam o desenvolvimento infantil muito antes do período escolar. Uma pesquisa da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) revela que bebês de famílias em situação de pobreza apresentam atrasos motores significativos já aos seis meses de vida, com menor capacidade de sentar, virar e agarrar objetos em comparação a crianças de classes mais altas.

O estudo, publicado no periódico científico Acta Psychologica, acompanhou 88 bebês no interior paulista. Segundo a fisioterapeuta Caroline Fioroni Ribeiro da Silva, autora da investigação financiada pela Fapesp, a escassez de recursos e de estímulos cria um “repertório menor de movimento”. A análise alerta que esses atrasos precoces podem ser precursores de dificuldades futuras, como déficit de atenção (TDAH) e transtornos de coordenação na fase escolar.

O fator ambiente

A pesquisa identificou que, em lares mais pobres, os bebês tendem a passar mais tempo confinados em carrinhos ou espaços restritos, muitas vezes por falta de áreas seguras para exploração. O estudo também notou que a presença de muitos adultos em um mesmo domicílio pode tornar o ambiente “caótico”, dificultando a autonomia da criança.

Em contrapartida, a maior escolaridade materna e a presença de ambos os pais no domicílio foram associadas a melhores indicadores, uma vez que responsáveis solo frequentemente enfrentam sobrecarga de tempo para o brincar.

Soluções acessíveis

A boa notícia do levantamento é a rapidez da reversão: aos oito meses, os bebês que receberam estímulos adequados já haviam superado as defasagens. A solução, segundo os pesquisadores, não exige investimentos financeiros, mas orientação.

Práticas simples como o tummy time (colocar o bebê de barriga para baixo com supervisão), o uso de brinquedos improvisados — como papel amassado ou chocalhos de garrafa PET — e o hábito de cantar e conversar com a criança mostraram-se eficazes.

“Não são necessários brinquedos caros”, afirma Caroline. Para a pesquisadora, diante da impossibilidade de erradicar a pobreza de forma imediata, a política pública deve focar em visitas de profissionais de saúde para orientar as famílias, especialmente mães adolescentes, sobre a importância do chão como espaço de aprendizado e segurança.

Cenário global

O impacto da vulnerabilidade social na primeira infância é um desafio de escala mundial. Dados do Unicef indicam que cerca de 400 milhões de crianças vivem em situação de pobreza no mundo, enfrentando privações que comprometem a saúde e o bem-estar a longo prazo.

Fonte: Agência Brasil.

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