sábado, 2 de maio de 2026
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Estudo aponta que mulheres enfrentam ‘escala 7×0’ no trabalho de cuidado.

Pesquisadora da UFRJ afirma que jornada doméstica sem folgas, acentuada por construções históricas e religiosas, compromete a saúde mental feminina e sustenta a economia Enquanto o feriado de 1º de maio marca o descanso para parte da força de trabalho no Brasil, uma categoria permanece ativa sem interrupções: as pessoas responsáveis pelos cuidados domésticos e […]

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Por Paulo Pinheiro 1 de maio de 2026 às 15:32 · 2 min de leitura

Pesquisadora da UFRJ afirma que jornada doméstica sem folgas, acentuada por construções históricas e religiosas, compromete a saúde mental feminina e sustenta a economia

Enquanto o feriado de 1º de maio marca o descanso para parte da força de trabalho no Brasil, uma categoria permanece ativa sem interrupções: as pessoas responsáveis pelos cuidados domésticos e familiares. Dados oficiais do IBGE indicam que as mulheres dedicam, em média, dez horas a mais por semana a essas tarefas do que os homens, configurando o que especialistas chamam de “escala 7×0”.

Para Cibele Henriques, professora de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), essa disparidade é resultado de uma construção histórica e simbólica. Segundo a pesquisadora, a sociedade consolidou a ideia de um “amor materno mítico” para justificar a exploração desse trabalho não remunerado. “O trabalho reprodutivo realizado pelas mulheres é o motor do capitalismo, pois gera o capital humano”, afirma Henriques.

Impacto na saúde

A sobrecarga física e mental decorrente da falta de pausas — que persiste inclusive em períodos de doença ou finais de semana — afeta diretamente o bem-estar social das mulheres. Henriques, que também é cofundadora do Observatório do Cuidado e do Fórum de Mães Atípicas do Rio de Janeiro, ressalta que o afeto envolvido nas relações familiares costuma ser utilizado para ocultar a natureza econômica dessas atividades.

A análise da pesquisadora reforça a tese da filósofa Silvia Federici, ao pontuar que o que a sociedade frequentemente classifica como “amor” é, tecnicamente, trabalho não pago. A acadêmica defende que a visibilidade econômica dessas tarefas é essencial para combater a exaustão feminina e garantir o direito à saúde mental.

Fonte: Agência Brasil

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