terça-feira, 14 de abril de 2026
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Tensão no Oriente Médio favorece exportação de petróleo, mas ameaça setor de alimentos.

Alta nos preços internacionais beneficia balança comercial de combustíveis; em contrapartida, vendas de carnes e grãos para países árabes enfrentam risco de retração temporária BRASÍLIA – O acirramento dos conflitos no Oriente Médio desenha um cenário de contrastes para o comércio exterior brasileiro. Se, por um lado, a pressão sobre as cotações internacionais do petróleo […]

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Por Paulo Pinheiro 5 de março de 2026 às 19:26 · 3 min de leitura

Alta nos preços internacionais beneficia balança comercial de combustíveis; em contrapartida, vendas de carnes e grãos para países árabes enfrentam risco de retração temporária

BRASÍLIA – O acirramento dos conflitos no Oriente Médio desenha um cenário de contrastes para o comércio exterior brasileiro. Se, por um lado, a pressão sobre as cotações internacionais do petróleo impulsiona as receitas com a exportação de combustíveis, por outro, coloca em xeque o escoamento de produtos agrícolas para uma das regiões que mais consomem a proteína animal e os grãos produzidos no Brasil.

A análise é de Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Segundo ele, como o Brasil consolidou-se como exportador líquido de petróleo, a valorização da commodity reflete-se diretamente no aumento do saldo comercial do setor. “Na medida em que o preço do petróleo sobe, o saldo do comércio de combustíveis tende a aumentar”, afirmou o diretor nesta quinta-feira, 5.

O gargalo dos alimentos

O otimismo no setor energético é contrabalançado pela preocupação no agronegócio. O Oriente Médio é um destino estratégico para produtos de alto valor agregado, especialmente os que seguem os preceitos halal. Atualmente, a região absorve:

  • 32% das exportações brasileiras de milho;
  • 30% das vendas externas de carne de aves;
  • 17% do açúcar;
  • 7% da carne bovina.

Apesar do risco de queda imediata no volume de embarques devido à instabilidade logística e política, o governo projeta que o impacto será passageiro. “A demanda por alimentos nesses países não vai desaparecer. Os fluxos tendem a se normalizar”, avalia Brandão.

Geopolítica comercial em números

Os dados da balança comercial de fevereiro também revelam uma reconfiguração nas relações com os principais parceiros econômicos:

  • China em alta: As exportações para o gigante asiático saltaram 38,7%, atingindo US$ 7,22 bilhões. O superávit foi favorecido por uma queda nas importações de produtos chineses, resultando em um saldo positivo de US$ 1,73 bilhão.
  • Efeito Trump: As vendas para os Estados Unidos recuaram pelo sétimo mês consecutivo (queda de 20,3%), reflexo da sobretaxa de 50% imposta pelo governo Donald Trump em 2025. Embora a Suprema Corte americana tenha derrubado a medida no fim de fevereiro, a recuperação dos números só deve ser sentida nos próximos meses.
  • Europa e Argentina: Enquanto a União Europeia registrou avanço de 34,7% nas compras de produtos brasileiros, o comércio com a Argentina encolheu. As exportações para o país vizinho caíram 26,5%, embora o Brasil ainda mantenha um superávit de US$ 207 milhões na relação bilateral.

Fonte: Agência Brasil

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