quarta-feira, 29 de abril de 2026
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Bióloga do Inpa dedicada às águas amazônicas vence principal prêmio científico do Brasil.

A bióloga Maria Teresa Fernandez Piedade, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), foi anunciada nesta sexta-feira, 24, como a vencedora da edição de 2026 do Prêmio Almirante Álvaro Alberto, a mais alta distinção da ciência brasileira. O reconhecimento, outorgado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em parceria com a Marinha […]

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Por Paulo Pinheiro 24 de abril de 2026 às 21:43 · 3 min de leitura

A bióloga Maria Teresa Fernandez Piedade, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), foi anunciada nesta sexta-feira, 24, como a vencedora da edição de 2026 do Prêmio Almirante Álvaro Alberto, a mais alta distinção da ciência brasileira. O reconhecimento, outorgado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em parceria com a Marinha do Brasil, coroa quase meio século de dedicação à pesquisa e compreensão do bioma amazônico.

A cerimônia de entrega da honraria está marcada para o dia 7 de maio, no Rio de Janeiro. A pesquisadora será agraciada com um diploma, uma medalha e a quantia de R$ 200 mil por seu destaque na produção de conhecimento científico e tecnológico de inquestionável valor para o País.

Com trajetória acadêmica iniciada na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no interior paulista, a cientista migrou para a Região Norte movida pelo objetivo contínuo de investigar a Amazônia. No Inpa, onde atua como pesquisadora efetiva desde 1988, recusou os estudos em terra firme para mergulhar na bacia do Rio Negro e se especializar nos ecossistemas aquáticos. Atualmente, ela é docente na pós-graduação e lidera o grupo de pesquisa Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (Maua).

O foco central de seu trabalho envolve os efeitos da variação do nível das águas — os ciclos de cheias e vazantes — e como essa dinâmica transforma os ecossistemas, gera adaptações fisiológicas nos organismos e influencia diretamente os estoques de carbono e as cadeias alimentares da região.

No entanto, a pesquisa de Maria Teresa também documenta e alerta para os impactos nocivos da intervenção humana. Seus estudos apontam, por exemplo, que a construção da Usina Hidrelétrica de Balbina, no Rio Uatumã (AM), provocou a morte gradual de florestas em uma extensão de mais de 125 quilômetros em três décadas. O colapso do ecossistema local é consequência direta da alteração do fluxo natural da água, agora submetido às oscilações da demanda energética.

Para a cientista premiada, frear a degradação ambiental é uma corrida contra o tempo com impactos nacionais. A conservação dos grandes rios e das florestas alagadas de várzea e igapó — que somam uma área quase três vezes maior que o estado de São Paulo — é vital para a manutenção do balanço hídrico do Brasil. É desse sistema integrado que nascem os “rios voadores”, fenômeno climático que bombeia umidade para a atmosfera e garante a regularidade das chuvas nas regiões Sul e Sudeste. Diante da ameaça global das mudanças climáticas, o trabalho da bióloga evidencia que entender a fragilidade da Amazônia é o primeiro passo para garantir a sobrevivência do ecossistema do qual todo o País depende.

Fonte: CNPq

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