A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para investigar um amplo esquema de fraude contra o Sistema Financeiro Nacional, completou seis meses nesta segunda-feira (18). Centrada nas atividades do Banco Master e de seu proprietário, Daniel Vorcaro, a ofensiva já resultou em 21 prisões, 116 mandados de busca e apreensão e no bloqueio judicial de R$ 27,7 bilhões.
As apurações, iniciadas a pedido do Ministério Público Federal (MPF), indicam que a instituição financeira fabricava carteiras de crédito sem lastro, as quais eram posteriormente negociadas com o Banco de Brasília (BRB). A insolvência confirmada levou o Banco Central (BC) a decretar a liquidação extrajudicial de empresas do conglomerado. Para conter a crise e proteger os correntistas, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) precisou desembolsar aproximadamente R$ 49,5 bilhões em ressarcimentos.
O inquérito revelou que o esquema ultrapassava a engenharia financeira, operando por meio de uma complexa rede de influência que cooptou políticos e servidores públicos. Entre os alvos está o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, preso sob a suspeita de receber propina para facilitar as transações sem lastro.
Na esfera legislativa, a operação investiga a atuação do senador Ciro Nogueira (PP-PI), suspeito de defender os interesses do banco no Congresso Nacional em troca de vantagens indevidas. Uma das ações seria a tentativa de aprovação de uma emenda para ampliar os limites de cobertura do FGC, medida que, segundo especialistas, ameaçaria a sustentabilidade do fundo.
A PF também identificou o fluxo de recursos da instituição para o meio político. Gravações apontam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) obteve repasses milionários com Vorcaro para financiar a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, motivando pedidos de investigação sobre a origem e a legalidade da verba.
Além dos crimes de colarinho branco, o processo expõe o emprego de intimidação física. As investigações detalham a existência de um grupo paramilitar privado, denominado “A Turma”, estruturado pelo banqueiro para coagir e ameaçar desafetos, com o auxílio de policiais e especialistas cibernéticos.
Com seis fases já executadas e prisões realizadas até no exterior, o caso tramita sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que continua a avaliar os desdobramentos daquela que pode configurar a maior fraude bancária da história do país.
Fonte: Agência Brasil.