O número de hospitalizações causadas pelo vírus sincicial respiratório (VSR) e por cepas A e B do vírus da gripe registra alta no Brasil. Impulsionado pela queda das temperaturas, que favorece a permanência em ambientes fechados, o contágio volta a pressionar as unidades de saúde. Dados do boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgados nesta quinta-feira, 11, mostram que 11 Estados mantêm tendência de crescimento nas internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nas últimas seis semanas.
O cenário epidemiológico alcançou níveis de alerta, risco ou alto risco em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de Acre, Alagoas, Amapá, Pará, Rio Grande do Norte, Roraima e Sergipe. Nas outras 16 unidades da Federação, o ritmo de novas internações apresenta indícios de desaceleração a longo prazo, embora 12 desses locais ainda permaneçam em patamares que exigem atenção das autoridades sanitárias. A letalidade da doença reflete a gravidade do cenário atual: o País já contabiliza 3.591 mortes decorrentes de SRAG apenas em 2026.
A análise laboratorial dos casos evidencia recortes específicos de impacto por faixa etária. O VSR figura como o principal causador de internações entre crianças de até 4 anos. Na população de 5 a 14 anos, o rinovírus é o patógeno predominante. Já a Influenza A atinge com maior severidade os jovens, adultos e idosos. O levantamento da Fiocruz capta, ainda, o avanço das infecções por Influenza B, que crescem com maior força nos grupos de 5 a 49 anos.
A pesquisadora responsável pelo InfoGripe, Tatiana Portella, avalia que o controle do avanço viral depende da cobertura vacinal e de medidas não farmacológicas. A imunização contra o vírus influenza e o VSR é apontada como a principal barreira para evitar a evolução de quadros graves e mortes, especialmente entre os grupos prioritários e mais vulneráveis.
Para frear as cadeias de transmissão, a recomendação é adotar o isolamento imediato de indivíduos que apresentem qualquer sintoma de gripe ou resfriado. Na impossibilidade de afastamento social, torna-se essencial a utilização de máscaras de alta capacidade de filtragem, como os modelos N95 ou PFF2, além da higienização constante das mãos e da priorização de ambientes arejados.
Fonte: Agência Brasil.