sexta-feira, 19 de junho de 2026
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A Caixa-Preta da Sufotur e a Farra dos Cachês: MP-BA impõe teto e barra R$ 18 milhões em sobrepreço no São João.

Por: Paulo Pinheiro O escândalo milionário envolvendo a Superintendência de Fomento ao Turismo da Bahia (Sufotur) revelou como uma brecha na lei de licitações foi usada para escoar milhões de reais em verba pública. No centro da polêmica, quatro produtoras de eventos — Brilho Estrelar, Estrelar Produções, Tamy e Nível Dez — que, juntas, abocanharam […]

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Por Paulo Pinheiro 18 de junho de 2026 às 15:16 · 2 min de leitura

Por: Paulo Pinheiro

O escândalo milionário envolvendo a Superintendência de Fomento ao Turismo da Bahia (Sufotur) revelou como uma brecha na lei de licitações foi usada para escoar milhões de reais em verba pública. No centro da polêmica, quatro produtoras de eventos — Brilho Estrelar, Estrelar Produções, Tamy e Nível Dez — que, juntas, abocanharam R$ 58 milhões entre 2023 e 2025. O detalhe? Funcionavam em endereços fantasmas e estavam registradas em nome de “laranjas”, como um office boy e uma secretária.

O esquema consistia em inflar exponencialmente o cachê de artistas através dessas empresas intermediárias, utilizando a “inexigibilidade de licitação”. Mas a repercussão do caso forçou uma reação em cadeia dos órgãos de controle, mudando as regras do jogo a poucos dias do ápice dos festejos juninos no estado.

A trava do Ministério Público

Para frear a sangria, o Ministério Público da Bahia (MP-BA), à frente do Painel de Transparência dos Festejos Juninos, endureceu a fiscalização. A promotora de Justiça Rita Tourinho lidera a ofensiva que estabeleceu uma regra inegociável: em 2026, as prefeituras e o Governo do Estado só podem pagar aos artistas o valor do cachê praticado no ano passado (2025), acrescido apenas da correção da inflação (IPCA), que gira em torno de 5%.

A medida já surtiu efeito. Diante das notificações, mais de 30 artistas e empresários — incluindo grandes nomes do cenário nacional, como Amado Batista — recuaram e aceitaram reduzir os valores cobrados. Estima-se que a intervenção do MP-BA já garantiu uma economia de quase R$ 19 milhões aos cofres públicos apenas neste período junino.

Alerta para o Interior

O impacto das investigações da Sufotur ressoa diretamente nas prefeituras do interior da Bahia, inclusive na nossa região. Municípios foram alertados de que repasses vultosos para produtoras sob investigação, especialmente naqueles que decretaram estado de emergência, serão alvos implacáveis de auditoria pelo Tribunal de Contas (TCE-BA).

A mensagem das autoridades é clara: o São João deve ser garantido pela sua importância cultural e econômica, mas a era do “cheque em branco” para produtoras de fachada está com os dias contados.

Fontes: SSPBA MP-BA e TCE-BA

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