O funcionamento da rede pública de saúde e a sobrecarga de atendimentos pautaram a primeira sessão ordinária do segundo período legislativo da Câmara Municipal de Alagoinhas, realizada nesta terça-feira, 21. O debate entre os parlamentares concentrou-se nos gargalos estruturais do Hospital Regional Dantas Bião, na fila da regulação estadual e nas incertezas geradas pela transição de demandas para o recém-inaugurado Hospital Regional do Litoral Norte.
No centro das atenções, o Hospital Dantas Bião foi defendido como a principal porta de entrada para emergências na região. A vereadora Luma Menezes, valendo-se de sua recente experiência de internação na unidade, elogiou o empenho do corpo clínico, mas denunciou um cenário de escassez de insumos, limitações estruturais e atrasos salariais. Ela manifestou preocupação com um possível esvaziamento das atividades do hospital, argumentando que a nova unidade do Litoral Norte ainda não tem capacidade para absorver demandas complexas, a exemplo dos setores de oncologia e neurocirurgia.
O temor foi endossado pelos pares. Cláudio Abiúde destacou que o novo hospital estadual atende apenas via sistema de regulação, o que mantém o Dantas Bião como a principal referência de portas abertas. Jaldice Nunes reforçou as críticas ao relatar a espera de pacientes por hemodiálise e tratamentos oncológicos. A vereadora também denunciou irregularidades trabalhistas, como o atraso no recolhimento de FGTS, e problemas de infraestrutura no Hospital Materno-Infantil, propondo uma nova inspeção institucional in loco.
Regulação e vocação regional
A morosidade do sistema de regulação também foi alvo de críticas. O vereador Luciano Almeida exemplificou a gravidade da situação citando o caso de uma idosa de 91 anos, com o fêmur fraturado, que segue à espera de transferência. Segundo ele, o problema exige fiscalização ininterrupta, independentemente do calendário parlamentar.
Diante do volume de pacientes, os parlamentares lembraram que Alagoinhas atua como cidade-polo, absorvendo a demanda de municípios vizinhos e até do estado de Sergipe. Para José Edésio e Anderson Xará, essa responsabilidade exige uma contrapartida financeira proporcional. Eles cobraram maior articulação política para garantir que os repasses acompanhem a realidade dos atendimentos diários, evitando que o município pague a conta de uma infraestrutura regional subfinanciada.
Avanços na atenção especializada
Apesar do tom de alerta, houve espaço para o reconhecimento de melhorias pontuais na gestão municipal. Os vereadores Edy da Saúde e Raimunda Florêncio destacaram a celeridade na marcação de exames e a ampliação da oferta de procedimentos no Centro de Cirurgias Eletivas Judélio de Sousa Carmo.
Florêncio, no entanto, ponderou que a ponta do sistema ainda sofre baixas. Ela alertou para a falta de médicos em algumas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), problema agravado pelo encerramento de contratos atrelados ao programa federal Mais Médicos.
A tônica da sessão deixou um recado unânime do Legislativo ao Executivo e ao Estado: a reestruturação do sistema regional não pode precarizar equipamentos históricos, e o fortalecimento do SUS local dependerá de investimentos contínuos e da regularização imediata das condições de trabalho dos profissionais.
Fonte: Câmara Municipal de Alagoinhas.