O presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, entregou-se à Polícia Federal (PF) na noite desta quarta-feira, 12, em Brasília. Foragido desde novembro de 2025, o dirigente é o principal alvo da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de cobranças indevidas em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Lopes apresentou-se voluntariamente na Superintendência Regional da corporação no Distrito Federal. De acordo com a PF, após a conclusão dos procedimentos administrativos de praxe, ele será transferido para o sistema prisional.
A apuração indica que a Conafer atuava como peça central na organização do esquema, utilizando filiações falsas para realizar descontos mensais diretos na folha de pagamento de beneficiários do INSS, sem o consentimento dos segurados. Em seu pedido de indiciamento, a Polícia Federal defende que o executivo responda pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa majorada e lavagem de dinheiro em caráter reiterado.
O mandado de prisão contra o dirigente foi expedido em 17 de novembro do ano passado. Por não ter sido localizado pelas autoridades na ocasião, ele passou a figurar na condição de foragido. À época, a confederação publicou nota oficial negando a fuga, sob o argumento de que o presidente encontrava-se em viagem por uma região de difícil acesso, com comunicação limitada, e que já preparava o seu retorno.
O executivo já havia sido preso no decorrer das investigações. Em setembro de 2025, durante depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS no Congresso, Lopes foi detido em flagrante pela Polícia Legislativa do Senado por falso testemunho, após negar envolvimento com as irregularidades. Naquela ocasião, foi liberado horas depois mediante o pagamento de fiança estipulada em R$ 5 mil.
A Operação Sem Desconto teve origem a partir de auditorias preliminares da Controladoria-Geral da União (CGU) em 2023, sendo assumida pela Polícia Federal no ano seguinte após a identificação de indícios consistentes de crimes.
Fonte: Agência Brasil.