A Corte de Apelação de Roma adiou para o dia 24 de novembro o julgamento do pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli enviado pelo governo brasileiro. A alteração na data atendeu a uma solicitação da defesa da ex-parlamentar, que alegou descumprimento do direito de ampla defesa por falta de acesso a documentos oficiais remetidos pelo Brasil sobre as condições da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.
O procedimento em análise na capital italiana diz respeito à condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de cinco anos e três meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O processo refere-se ao episódio ocorrido em São Paulo, às vésperas do segundo turno das eleições de 2022, quando a ex-deputada sacou um revólver e perseguiu um jornalista em via pública.
A defesa sustenta que o exame das garantias de saúde e integridade física da brasileira no sistema prisional é indispensável para a análise do mérito. Em nota, a representação jurídica de Zambelli argumentou que a transferência nas condições atuais comprometeria a segurança pessoal da ex-deputada, classificando a estrutura carcerária brasileira como inadequada.
Esta é a segunda investida do Judiciário brasileiro para obter a extradição de Zambelli. Em ocasião anterior, referente à condenação a dez anos de prisão pela invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserção de documento falso contra magistrados, o pleito foi negado em última instância pela Corte de Cassação da Itália. Naquela decisão, os juízes italianos apontaram eventual comprometimento de imparcialidade na condução do processo no STF.
Após o julgamento das ações em 2025, a ex-deputada deixou o Brasil com uso de passaporte europeu e ingressou com pedido de refúgio na Itália sob a alegação de perseguição política. Ela chegou a ser detida preventivamente em Roma a pedido do STF, mas foi libertada após a recusa do primeiro pedido extraditório e aguarda a nova deliberação em liberdade.
Fonte: Agência Brasil.