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Vício em ‘bets’: SUS lança teleatendimento gratuito para tratar compulsão por apostas.

Serviço online é voltado para maiores de 18 anos e familiares; triagem é feita pelo aplicativo Meu SUS Digital e pode render até 13 consultas sigilosas. O Ministério da Saúde lançou nesta terça-feira, 3, um serviço de teleatendimento gratuito para acolher e tratar maiores de 18 anos que sofrem com a compulsão por apostas eletrônicas, […]

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Por Paulo Pinheiro 3 de março de 2026 às 16:11 · 3 min de leitura

Serviço online é voltado para maiores de 18 anos e familiares; triagem é feita pelo aplicativo Meu SUS Digital e pode render até 13 consultas sigilosas.

O Ministério da Saúde lançou nesta terça-feira, 3, um serviço de teleatendimento gratuito para acolher e tratar maiores de 18 anos que sofrem com a compulsão por apostas eletrônicas, as populares “bets”. A iniciativa, que também se estende aos familiares dos apostadores, busca mitigar os severos impactos na saúde mental e as perdas socioeconômicas geradas pelo vício, estimadas em R$ 38,8 bilhões anuais ao País.

Fruto de uma parceria com o Hospital Sírio-Libanês, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional (Proadi-SUS), o projeto começa com a oferta de 600 atendimentos mensais por vídeo. A meta do governo federal, no entanto, é escalar o serviço conforme a demanda, podendo chegar a 100 mil consultas por mês.

O formato online foi escolhido estrategicamente para derrubar barreiras como a vergonha e o medo de julgamento, que frequentemente afastam os pacientes dos consultórios físicos. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o distúrbio não apenas afeta a saúde mental, mas destrói o patrimônio e a estrutura familiar. Nos últimos anos, a rede pública registrou até 3 mil buscas presenciais de pessoas admitindo o problema de forma espontânea.

Como funciona o tratamento

As consultas virtuais têm duração média de 45 minutos e são estruturadas em ciclos que podem chegar a 13 sessões, variando entre encontros individuais ou em grupo. O atendimento é totalmente sigiloso e conduzido por uma equipe multidisciplinar formada por psicólogos e terapeutas ocupacionais, com retaguarda de psiquiatras e assistentes sociais, caso seja necessário.

Para ter acesso, o usuário deve utilizar o aplicativo Meu SUS Digital (disponível para Android, iOS e web) e fazer o login com a conta gov.br. Na aba “Miniapps”, basta selecionar “Problemas com jogos de apostas?”. O sistema apresenta um autoteste validado por cientistas brasileiros que avalia o grau do vício.

Se o questionário apontar risco moderado ou elevado, o paciente é encaminhado automaticamente para o teleatendimento. Já os casos de risco leve recebem orientação para buscar a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que engloba as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Ações complementares e bloqueio voluntário

Para garantir o suporte adequado na ponta, o Ministério da Saúde firmou parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para capacitar profissionais da rede pública. Das 20 mil vagas abertas para o curso de formação no tratamento da compulsão por jogos, 13 mil já foram preenchidas.

A pasta também tem integrado o cuidado médico com a Plataforma de Autoexclusão Centralizada, ferramenta federal lançada em dezembro que permite ao cidadão bloquear o próprio CPF em sites de apostas e barrar o recebimento de propagandas. Mais de 300 mil pessoas já aderiram ao bloqueio voluntário. Por meio do cruzamento de dados com o Cartão SUS, o governo consegue mapear os pacientes com indícios de gravidade e direcioná-los proativamente para as unidades de saúde da família mais próximas.

Fonte: Agência Brasil

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