terça-feira, 9 de junho de 2026
Capa Economia

Operação da PF prende pai de ex-banqueiro acusado de chefiar milícia particular.

Henrique Vorcaro comandaria grupo especializado em espionagem, ameaças e cooptação de agentes públicos para proteger interesses de Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master. A Polícia Federal (PF) prendeu nesta quinta-feira, 14, Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A prisão ocorreu no âmbito da sexta fase da Operação Compliance Zero, […]

Avatar de Paulo Pinheiro
Por Paulo Pinheiro 14 de maio de 2026 às 14:16 · 3 min de leitura

Henrique Vorcaro comandaria grupo especializado em espionagem, ameaças e cooptação de agentes públicos para proteger interesses de Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master.

A Polícia Federal (PF) prendeu nesta quinta-feira, 14, Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A prisão ocorreu no âmbito da sexta fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras bilionárias. De acordo com as investigações, Henrique seria o líder de uma milícia privada — autodenominada “A Turma” ou “Os Meninos” — estruturada para espionar, intimidar e retaliar desafetos da família Vorcaro.

A operação, que cumpriu sete mandados de prisão com autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), desarticulou uma rede complexa que operava por meio do uso de força, crimes cibernéticos e vazamento de informações. A existência do grupo foi comprovada por meio de mensagens interceptadas nos aparelhos celulares do próprio empresário e de subordinados, o que evidenciou, segundo o STF, um “vínculo funcional intenso” e o financiamento contínuo das atividades ilícitas.

O braço operacional da organização contava com a expertise de agentes de segurança. Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado e um dos principais alvos da ação, seria o responsável por coordenar as ameaças e subornar servidores da ativa em troca de dados sigilosos sobre investigações que rondavam o núcleo familiar. Diante de sua influência no esquema, o STF determinou sua transferência imediata para o Sistema Penitenciário Federal. Outro policial federal, Anderson da Silva Lima, lotado no Rio de Janeiro, também foi detido preventivamente por utilizar a rede da corporação para monitorar inquéritos de interesse do grupo.

A atuação de “A Turma” estendia-se a diferentes frentes. No ambiente digital, o núcleo liderado por David Henrique Alves — preso em uma fase anterior enquanto tentava fugir com computadores — contratava hackers para invadir sistemas e derrubar perfis de adversários nas redes sociais. Dois suspeitos de executar esses crimes cibernéticos, Rodrigo Pimenta e Victor Sedlmaier, também foram presos nesta quinta-feira.

Nas ruas, a intimidação era direta. No estado do Rio de Janeiro, Manoel Mendes Rodrigues, apontado como chefe de uma ramificação do grupo e supostamente ligado ao jogo do bicho, é acusado de ameaçar de morte um comandante de iate e um chef de cozinha em Angra dos Reis, utilizando sua ligação com a família Vorcaro como mecanismo de coerção. A periculosidade da organização já havia ficado patente em etapas anteriores: Felipe Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado como um dos gerentes do esquema, cometeu suicídio na carceragem da PF em Belo Horizonte após ser detido.

Em nota, a defesa de Henrique Vorcaro classificou a prisão preventiva como “grave e desnecessária”. Os advogados Eugênio Pacelli e Frederico Horta argumentam que a medida foi precipitada, uma vez que o empresário ainda não havia sido intimado a prestar esclarecimentos. A defesa sustenta, ainda, que as acusações contidas na decisão judicial se baseiam em fatos que carecem de comprovação e lastro nos autos do processo.

Fonte: Agência Brasil

Publicidade Espaço Publicitário (728x90)

Descubra mais sobre O Instante

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading