EUA ameaçam intervenção unilateral contra cartéis na América Latina.
DA REDAÇÃO O governo dos Estados Unidos elevou o tom contra o crime organizado na América Latina. Durante a Conferência das Américas de Combate aos Cartéis, realizada nesta quinta-feira, 5, na Flórida, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, afirmou que Washington está disposta a “agir sozinha” no continente, caso considere necessário para neutralizar as […]
DA REDAÇÃO
O governo dos Estados Unidos elevou o tom contra o crime organizado na América Latina. Durante a Conferência das Américas de Combate aos Cartéis, realizada nesta quinta-feira, 5, na Flórida, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, afirmou que Washington está disposta a “agir sozinha” no continente, caso considere necessário para neutralizar as ameaças representadas pelos grupos narcotraficantes.
A declaração ocorreu no Comando Sul, braço das Forças Armadas dos EUA para a região, e contou com a presença de representantes de 16 países aliados. Embora o objetivo oficial do encontro tenha sido a formação de uma coalizão regional, a fala de Hegseth resgatou preceitos de intervenção unilateral que geram controvérsia diplomática.
Doutrina Monroe e o ‘Corolário Trump’
O posicionamento de Washington fundamenta-se no chamado “Corolário Trump” à Doutrina Monroe. A política, integrada à nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, reafirma a proeminência americana sobre o hemisfério e busca restringir a influência de potências extrarregionais no continente.
“Nossa preferência é que façamos isso juntos, com nossos vizinhos e aliados. No entanto, os Estados Unidos estão preparados para partir para o ataque sozinhos”, declarou o secretário. Para analistas de geopolítica, o discurso sinaliza uma tentativa de “militarizar” o combate às drogas, tratando a questão policial como uma pauta de segurança nacional e defesa territorial.
Reações na região
A postura de “mão forte” de Washington foi recebida com cautela e resistência por importantes lideranças latinas:
- Brasil e México: Ambos os governos têm enfatizado que qualquer cooperação deve respeitar estritamente a soberania nacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém o tema na agenda com Donald Trump, mas sob a ótica da coordenação institucional.
- Colômbia: O presidente Gustavo Petro rebateu a ideia de ação isolada, afirmando que os EUA “não saberiam como fazê-lo bem” sem o apoio local, defendendo um “Pacto pela Vida” em vez de intervenções externas.
- Paraguai e Equador: No sentido oposto, estas nações têm estreitado laços militares com os americanos. O Senado paraguaio, inclusive, avançou com um acordo que prevê imunidade penal para militares dos EUA em operações no país.
Para especialistas ouvidos pela reportagem, a estratégia americana de “latino-americanizar” o problema das drogas pode ser um pretexto para garantir acesso irrestrito a áreas estratégicas e mercados. Enquanto isso, o Brasil é alertado sobre a necessidade de fortalecer suas próprias forças de segurança para evitar que a presença de facções criminosas sirva de justificativa para intervenções estrangeiras em seu território.
Fonte: Agência Brasil