Vacina do Butantan contra dengue mantém eficácia por cinco anos.
Estudo publicado na revista ‘Nature Medicine’ confirma proteção de 80,5% contra formas graves da doença; imunizante é o primeiro do mundo em dose única Novo estudo clínico do Instituto Butantan revela que a vacina brasileira contra a dengue (Butantan-DV) mantém a eficácia por pelo menos cinco anos após a aplicação. Os dados, publicados na quarta-feira, […]
Estudo publicado na revista ‘Nature Medicine’ confirma proteção de 80,5% contra formas graves da doença; imunizante é o primeiro do mundo em dose única
Novo estudo clínico do Instituto Butantan revela que a vacina brasileira contra a dengue (Butantan-DV) mantém a eficácia por pelo menos cinco anos após a aplicação. Os dados, publicados na quarta-feira, 4, na revista científica Nature Medicine, apontam que nenhum dos voluntários vacinados desenvolveu a forma severa da doença ou precisou de hospitalização no período.
A eficácia contra casos graves e infecções com sinais de alerta fixou-se em 80,5%. No panorama geral, que inclui casos leves, o índice de proteção é de 65% — subindo para 77,1% entre pessoas que já tiveram dengue anteriormente.
Diferencial estratégico
O imunizante é o primeiro no mundo a utilizar o esquema de dose única. Para a diretora médica do Butantan, Fernanda Boulos, a simplicidade do cronograma é um fator determinante para o sucesso das campanhas públicas. “Muitas pessoas não retornam para completar esquemas de duas ou mais doses. A proteção alta com apenas uma aplicação é fundamental”, afirma.
Os pesquisadores continuarão o monitoramento dos voluntários para verificar a necessidade de reforços após prazos mais longos, como 10 ou 20 anos.
Restrições por idade
Apesar dos resultados positivos, a eficácia apresentou variações por faixa etária. O índice de proteção tende a cair de forma mais acentuada em crianças do que em adultos após o ciclo de cinco anos.
Por esse motivo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro do imunizante apenas para o público entre 12 e 59 anos. O Instituto Butantan já planeja estudos adicionais com a agência para incluir crianças no futuro, além de testes específicos com idosos, cujos resultados devem ser divulgados em 2027.
Atualmente, a vacina já está sendo aplicada em profissionais de saúde em diversas regiões do País. No Sergipe, por exemplo, a primeira etapa da estratégia de vacinação contou com um lote inicial de 7,9 mil doses.