Ofensiva israelense no Líbano força deslocamento de 667 mil pessoas em uma semana.
BEIRUTE – A escalada do conflito entre Israel e o grupo xiita Hezbollah provocou o deslocamento de 667 mil pessoas no Líbano em apenas sete dias. O balanço, divulgado nesta terça-feira (10) pela Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), baseia-se em dados do governo libanês e aponta para uma crise humanitária aguda, com um […]
BEIRUTE – A escalada do conflito entre Israel e o grupo xiita Hezbollah provocou o deslocamento de 667 mil pessoas no Líbano em apenas sete dias. O balanço, divulgado nesta terça-feira (10) pela Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), baseia-se em dados do governo libanês e aponta para uma crise humanitária aguda, com um aumento de 100 mil desabrigados em um único dia.
A ONU alerta que o volume de ordens de evacuação emitidas pelas Forças de Defesa de Israel (FDI) pode configurar crime de guerra. Segundo o Alto Comissariado para os Direitos Humanos, mais de 100 cidades e vilarejos receberam alertas para que a população abandonasse suas casas, o que, na prática, inviabiliza o cumprimento das normas internacionais de proteção a civis.
Fósforo branco e infraestrutura
Em outra frente de denúncias, a organização Human Rights Watch acusou o Exército israelense de utilizar fósforo branco na cidade de Yohmor, no sul do país. A substância, cujo uso em áreas residenciais é proibido por causar queimaduras graves e incêndios incontroláveis, teria sido empregada em zonas civis.
Questionadas, as autoridades de Israel afirmaram desconhecer as acusações e não confirmaram o uso do armamento. No plano logístico, o impacto do conflito já compromete o sistema de saúde: a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou o fechamento de dois hospitais e 43 centros de atendimento básico devido aos bombardeios e às ordens de retirada.
Dinâmica do conflito
O governo de Israel justifica as incursões como “necessárias e precisas” para desmantelar a infraestrutura do Hezbollah, que teria voltado a atacar o norte do território israelense após o assassinato do líder supremo do Irã, Ali Khamenei.
O Hezbollah, por sua vez, classificou suas ações como “retaliação legítima” a violações de um cessar-fogo firmado em 2024 que, segundo o grupo, nunca foi plenamente respeitado por Tel-Aviv. Nesta terça, o grupo libanês lançou uma nova onda de ataques contra a cidade de Khian, em Israel, intensificando o ciclo de violência que se espalha pela periferia sul de Beirute e pelo Vale do Bekaa.
Êxodo e refúgio
Atualmente, cerca de 100 mil pessoas estão distribuídas em 469 abrigos temporários em solo libanês. A crise também gera um fluxo reverso de migração: a Acnur estima que 78 mil cidadãos sírios, que antes buscavam refúgio no Líbano, foram forçados a retornar para a Síria para escapar da nova frente de guerra.
Fonte: Agência Brasil