Radiografia da Insegurança: Estudo revela que operações policiais são principal motivo por morte por arma de fogo no Brasil.
Um levantamento divulgado pelo Instituto Fogo Cruzado aponta que as ações e operações das forças de segurança se consolidaram como um dos principais vetores da violência armada no país. O relatório semestral, publicado nesta semana, mapeou dados entre janeiro e junho de 2026 em quatro regiões metropolitanas — Rio de Janeiro, Recife, Belém e Salvador […]
Um levantamento divulgado pelo Instituto Fogo Cruzado aponta que as ações e operações das forças de segurança se consolidaram como um dos principais vetores da violência armada no país. O relatório semestral, publicado nesta semana, mapeou dados entre janeiro e junho de 2026 em quatro regiões metropolitanas — Rio de Janeiro, Recife, Belém e Salvador —, abrangendo 57 municípios. De acordo com o documento, o período acumulou 2.511 tiroteios, resultando em 2.403 pessoas baleadas, das quais 1.628 morreram e 775 ficaram feridas.
Do total de registros de confrontos, as intervenções policiais responderam por 39%, contabilizando 989 ocorrências que deixaram 584 mortos e 317 feridos. Os números revelam um recorde na participação de agentes nos tiroteios, que somaram 901 vítimas atingidas por disparos em contextos operacionais.
Para especialistas da área, os dados escancaram a limitação das atuais diretrizes de segurança pública. Terine Husek Coelho, gerente de Pesquisa do instituto, avalia que a manutenção do modelo estratégico tradicional fracassa em desarticular o crime organizado e em proteger a sociedade. Segundo a pesquisadora, insistir em táticas de confronto direto apenas alimenta o ciclo de tiroteios, vulnerabiliza moradores, prejudica o funcionamento de serviços essenciais como escolas e postos de saúde, e falha em conter a expansão dos grupos armados.
Enquanto a participação policial nos conflitos cresceu, o relatório também identificou variações regionais expressivas. Na região metropolitana do Rio de Janeiro, os confrontos envolvendo forças de segurança atingiram 47% dos casos mapeados, o patamar mais alto para o primeiro semestre desde 2017. Em Salvador, mais da metade dos 637 feridos por armas de fogo no período foram atingidos em circunstâncias de ação policial, cenário que também se refletiu na vitimização de agentes: dos 34 policiais baleados, 24 estavam em serviço.
Paralelamente, o estudo aponta o avanço da atuação de facções e milícias. O número de vítimas atingidas em disputas diretas entre grupos criminosos cresceu 12% no semestre, passando de 181 para 203 casos. Além disso, assaltos que terminaram com pessoas baleadas registraram alta expressiva, consolidando um ambiente de risco generalizado para a população urbana nas metrópoles analisadas.
Fonte: Agência Brasil.