sexta-feira, 15 de maio de 2026
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Alta de combustíveis na bomba expõe reflexos da privatização da BR Distribuidora.

Sem a estrutura estatal na ponta da cadeia, distribuidoras elevam margens de lucro de forma desproporcional aos repasses das refinarias, apontam especialistas. Jornal O Instante | 15 de março de 2026. O aumento expressivo no preço dos combustíveis, com o litro da gasolina chegando à marca de R$ 9 em postos de São Paulo, recolocou […]

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Por Paulo Pinheiro 15 de março de 2026 às 08:30 · 3 min de leitura

Sem a estrutura estatal na ponta da cadeia, distribuidoras elevam margens de lucro de forma desproporcional aos repasses das refinarias, apontam especialistas.

Jornal O Instante | 15 de março de 2026.

O aumento expressivo no preço dos combustíveis, com o litro da gasolina chegando à marca de R$ 9 em postos de São Paulo, recolocou em debate os impactos da privatização da BR Distribuidora na economia nacional. Especialistas do setor de energia avaliam que, ao abrir mão da ponta final da cadeia de fornecimento, o Estado perdeu os mecanismos institucionais necessários para conter repasses abusivos ao consumidor durante crises internacionais.

Levantamentos do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) e da Federação Única dos Petroleiros (FUP) indicam que a escalada nos preços nas bombas ocorre de maneira desproporcional aos valores cobrados nas refinarias da Petrobras. A FUP estima que o combustível chegue ao consumidor final com um acréscimo de até 40%. Embora o mercado justifique as altas com o agravamento do conflito no Oriente Médio, entidades e analistas apontam que a instabilidade externa tem servido de pretexto para a ampliação direta das margens de lucro de distribuidoras e revendedoras. Como reflexo do setor privado, a Vibra Energia — empresa que assumiu as operações da antiga BR — reportou lucro líquido de R$ 679 milhões em 2024, destacando em balanço o crescimento consistente de suas margens financeiras.

A venda do controle acionário da BR Distribuidora teve início em 2019, sob a premissa de que a Petrobras deveria concentrar seus esforços e investimentos exclusivamente na exploração e produção de óleo e gás. O processo de desestatização foi concluído em 2021 sem a necessidade de aprovação do Congresso Nacional, manobra validada por entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF).

Para pesquisadores, o desmonte desse modelo verticalizado — conhecido historicamente como “do poço ao posto” — enfraqueceu a segurança energética do País. O professor de Engenharia de Petróleo da Universidade Federal Fluminense (UFF), Geraldo de Souza Ferreira, argumenta que o controle da distribuição é estratégico para amortecer a volatilidade internacional. Segundo ele, empresas públicas possuem função social reguladora, enquanto o foco exclusivo no retorno financeiro pela iniciativa privada deixa o mercado vulnerável à especulação em momentos de crise.

Na tentativa de atenuar o impacto inflacionário e o peso no bolso do consumidor, o governo federal tem recorrido a instrumentos fiscais. A União zerou as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel e editou medida provisória para conceder subvenções econômicas, garantindo um alívio total de R$ 0,64 por litro. Além das desonerações, o Executivo instituiu uma sala de crise para monitorar as flutuações do mercado de combustíveis e mantém negociações com as distribuidoras, que pressionam a Petrobras para ampliar a importação de diesel e assegurar o abastecimento interno.

Fonte: Agência Brasil.

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