Faturamento da indústria avança 3,8% em março, mas juros altos mantêm setor sob alerta.
O faturamento da indústria de transformação brasileira registrou alta de 3,8% em março ante o mês de fevereiro, o que sinaliza uma retomada parcial da atividade do setor. Apesar do avanço mensal — que posicionou o indicador 9,8% acima do patamar de dezembro —, as fábricas ainda amargam uma retração acumulada de 4,8% no primeiro […]
O faturamento da indústria de transformação brasileira registrou alta de 3,8% em março ante o mês de fevereiro, o que sinaliza uma retomada parcial da atividade do setor. Apesar do avanço mensal — que posicionou o indicador 9,8% acima do patamar de dezembro —, as fábricas ainda amargam uma retração acumulada de 4,8% no primeiro trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado.
Os dados compõem a pesquisa Indicadores Industriais, divulgada nesta sexta-feira, 8, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O desempenho interanual negativo é reflexo direto da taxa de juros elevada e do consequente enfraquecimento da demanda. De acordo com a entidade, o encarecimento do crédito reduz o consumo das famílias e o nível de investimentos das empresas, o que se traduz em um volume menor de encomendas.
Mesmo com o freio no consumo, o ritmo no chão de fábrica apresentou um leve aquecimento. As horas trabalhadas na produção cresceram 1,4% em março, marcando a terceira alta mensal consecutiva. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (UCI) também avançou de forma discreta, passando de 77,5% para 77,8%. A CNI ressalta que essa margem de ociosidade aponta que o parque industrial brasileiro possui maquinário e contingente suficientes para ampliar a produção sem a exigência de novos investimentos imediatos, dependendo apenas de uma reação da demanda.
No mercado de trabalho, contudo, o cenário reflete a postura cautelosa do empresariado diante da economia retraída. O nível de emprego na indústria caiu 0,3% em março, consolidando a quinta queda registrada nos últimos sete meses. Os vencimentos também encolheram na variação mensal: a massa salarial recuou 2,4% e o rendimento médio real cedeu 1,8%. Apesar desse tropeço em março, ambos os indicadores de renda ainda sustentam saldos positivos no acumulado do trimestre quando comparados ao início do ano passado.
Fonte: CNI