Morre o economista Chico Lopes, ex-presidente do Banco Central e idealizador do Copom.
O economista Francisco Lafaiete de Pádua Lopes, o Chico Lopes, morreu nesta sexta-feira, 8, no Rio de Janeiro. Ex-presidente interino do Banco Central (BC) e idealizador do Comitê de Política Monetária (Copom), ele nasceu em 1945 e estava internado no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, zona sul da capital fluminense. A causa da morte não foi […]
O economista Francisco Lafaiete de Pádua Lopes, o Chico Lopes, morreu nesta sexta-feira, 8, no Rio de Janeiro. Ex-presidente interino do Banco Central (BC) e idealizador do Comitê de Política Monetária (Copom), ele nasceu em 1945 e estava internado no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, zona sul da capital fluminense. A causa da morte não foi informada.
Em nota oficial, o Banco Central manifestou profundo pesar e ressaltou que Lopes dedicou sua vida intelectual ao maior desafio macroeconômico de sua época: o combate à inflação crônica brasileira. A família, por sua vez, destacou sua “inteligência, firmeza intelectual e dedicação” ao longo de décadas de atuação pública e acadêmica.
Legado e o Plano Real
Lopes teve participação destacada nos debates que formularam as políticas anti-inflacionárias do País nas décadas de 1980 e 1990. Ele colaborou com a formulação teórica de planos econômicos como o Cruzado e o Bresser e atuou ativamente no processo de estabilização monetária que culminou no Plano Real.
Com graduação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestrado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e doutorado pela Universidade de Harvard, Lopes lecionou na PUC-Rio e na Universidade de Brasília (UnB), além de ter fundado a consultoria Macrométrica.
Sua contribuição mais perene à governança econômica brasileira ocorreu durante a passagem pela diretoria do BC, cargo que assumiu em 1995. Foi sob sua influência técnica que a instituição criou o Copom, no ano seguinte, estabelecendo um rito previsível, rigoroso e transparente para a definição da taxa básica de juros (Selic) – modelo estrutural que vigora até os dias atuais.
Crise cambial e polêmicas
No início de 1999, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, Chico Lopes assumiu a presidência do Banco Central. Sua breve gestão, entre janeiro e fevereiro, ocorreu no epicentro de uma severa crise cambial, período em que o Brasil foi forçado a abandonar o regime de bandas para adotar o câmbio flutuante.
A curta passagem pelo comando da autoridade monetária foi marcada pela controversa operação de socorro aos bancos Marka e FonteCidam, instituições severamente expostas à súbita desvalorização do real frente ao dólar. A intervenção do BC evitou a quebra das entidades e um potencial efeito dominó no mercado, mas gerou prejuízos aos cofres públicos e resultou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro.
Ao longo dos anos, Lopes sempre defendeu a estrita legalidade da medida, justificando que a manobra era a única saída viável para blindar o sistema financeiro nacional de um colapso agudo. Após o episódio, ele deixou o governo e foi substituído por Armínio Fraga.
O velório de Chico Lopes será realizado neste sábado, 9, a partir das 13h, no Cemitério do Caju, na região portuária do Rio de Janeiro, com cerimônia de cremação agendada para as 16h. O economista deixa a esposa, Ciça Pugliese, com quem esteve casado por mais de 40 anos, além de três filhos e sete netos.
Fonte EBC