segunda-feira, 27 de julho de 2026
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Pacote pró-armas de Trump ameaça fortalecer arsenal de facções no Brasil.

A proposta do governo de Donald Trump para afrouxar as regras de venda de armas nos Estados Unidos tem gerado preocupação entre especialistas brasileiros em segurança pública. Composto por 34 medidas, o pacote inclui a liberação de compras de armamento pelos correios, a redução do tempo de retenção dos registros de vendas pelos lojistas e […]

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Por Paulo Pinheiro 17 de julho de 2026 às 14:40 · 3 min de leitura

A proposta do governo de Donald Trump para afrouxar as regras de venda de armas nos Estados Unidos tem gerado preocupação entre especialistas brasileiros em segurança pública. Composto por 34 medidas, o pacote inclui a liberação de compras de armamento pelos correios, a redução do tempo de retenção dos registros de vendas pelos lojistas e regras mais brandas na checagem de antecedentes. Na avaliação de pesquisadores, as mudanças tendem a facilitar o fluxo de armas de grosso calibre para facções criminosas no Brasil.

Os Estados Unidos já operam como o principal fornecedor de armamento ilícito para o crime organizado nas Américas. No Brasil, um estudo publicado na revista científica britânica Journal of Illicit Economies and Development apontou que 54% dos 1,7 mil fuzis ilegais apreendidos na região Sudeste, entre 2019 e 2023, tinham origem norte-americana. Esse domínio logístico se repete no México, onde 80% do arsenal dos cartéis vem do país vizinho, e na região do Caribe (73%), conforme dados compilados pela Universidade de Harvard.

Bruno Langeani, consultor sênior do Instituto Sou da Paz e coautor do levantamento sobre os fuzis no Sudeste, alerta para o risco do chamado comércio de “armas fantasmas” ou peças avulsas. Sem regulação rigorosa, componentes desmontados costumam ser despachados via serviços postais comuns, burlando com facilidade os equipamentos de raio-X e a fiscalização alfandegária nos aeroportos. Com o afrouxamento das regras federais nos EUA, a tendência é que as quadrilhas brasileiras explorem ainda mais essa rota.

A desregulamentação interna dialoga com recentes guinadas na política externa norte-americana. Em setembro de 2025, Washington já havia derrubado as barreiras para a exportação de armas a 36 países. Entre eles, figuram fronteiras sensíveis e tradicionais rotas de desvio para o Brasil, como Paraguai, Bolívia e Peru. A justificativa do Departamento de Comércio dos EUA focou na expansão econômica do setor bélico nacional — uma indústria que viu seu faturamento disparar 379% entre 2008 e 2024, atingindo a marca de US$ 91,7 bilhões.

Para o cientista social Robson Rodrigues, pesquisador do Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (LAV/Uerj), a diretriz expõe uma contradição na política internacional de Washington. Ao mesmo tempo em que os EUA pressionam e financiam o combate ao narcotráfico na América Latina, a Casa Branca facilita estruturalmente o acesso do crime organizado ao seu próprio mercado de armas. Segundo o pesquisador, o forte lobby da indústria armamentista acaba se sobrepondo aos interesses da segurança transnacional, retroalimentando as redes criminosas que o Estado afirma combater.

Fonte: Agência Brasil.

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