Entre a estatística e a realidade: o plano da Bahia para levar a segurança além dos índices de curto prazo.
SALVADOR – O governo da Bahia tenta desatar um nó histórico na segurança pública. Ao anunciar a queda de 13% nos crimes violentos em 2025 e uma redução de 13,7% na letalidade policial no primeiro bimestre de 2026, a gestão Jerônimo Rodrigues (PT) não celebra apenas números; tenta validar uma mudança de rota que tem […]
SALVADOR – O governo da Bahia tenta desatar um nó histórico na segurança pública. Ao anunciar a queda de 13% nos crimes violentos em 2025 e uma redução de 13,7% na letalidade policial no primeiro bimestre de 2026, a gestão Jerônimo Rodrigues (PT) não celebra apenas números; tenta validar uma mudança de rota que tem como pilar o programa Bahia pela Paz.
A meta ousada de expandir os coletivos sociais para 24 unidades até o final deste ciclo governamental revela uma estratégia de “ocupação branca” em territórios conflagrados. A ideia é substituir — ou ao menos equilibrar — o fuzil pelo assistente social e o educador.
O peso dos números
Embora os dados apresentados nesta terça-feira (3) pelo Comitê de Governança sejam positivos, eles trazem consigo o desafio da manutenção. Analiticamente, o cenário se divide em três frentes:
- A eficácia da contenção: A queda na letalidade policial acima da meta (13,7% contra os 10% previstos) sugere um controle mais rígido da tropa e novos protocolos de inteligência.
- Ocupação social vs. Facções: O programa mobiliza 150 profissionais para atuar onde o Estado era ausente. O sucesso depende da capacidade desses agentes de oferecer alternativas reais ao recrutamento do crime organizado.
- Monitoramento Semanal: A decisão de manter reuniões de governança constantes indica que o Palácio de Ondina entendeu que a segurança na Bahia não aceita vácuos de gestão.
O horizonte de 2026
O plano para os próximos meses é de interiorização. A segurança pública baiana vive hoje o paradoxo de apresentar avanços estatísticos em meio a uma sensação de insegurança que ainda ecoa em grandes centros e cidades do interior.
O “Bahia pela Paz” é a peça-chave para converter o recuo momentâneo da violência em uma política de Estado perene. Se o governo conseguir manter a curva descendente até 2026, terá em mãos não apenas um trunfo eleitoral, mas um modelo de segurança que equilibra repressão qualificada e prevenção social — algo raro na história recente do estado.
Fonte :GOVBA