quinta-feira, 16 de abril de 2026
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Estudo com polilaminina traz esperança, mas exige cautela científica.

Substância desenvolvida na UFRJ busca regenerar conexões nervosas em pacientes com lesão medular; fase de testes clínicos em humanos é fundamental para comprovar segurança e eficácia Uma nova molécula desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a polilaminina, tornou-se o centro das atenções na medicina regenerativa brasileira. A substância promete atuar […]

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Por Paulo Pinheiro 8 de março de 2026 às 14:48 · 3 min de leitura

Substância desenvolvida na UFRJ busca regenerar conexões nervosas em pacientes com lesão medular; fase de testes clínicos em humanos é fundamental para comprovar segurança e eficácia

Uma nova molécula desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a polilaminina, tornou-se o centro das atenções na medicina regenerativa brasileira. A substância promete atuar como um “trilho” biológico, estimulando o crescimento de neurônios e a reconexão de axônios em pacientes com lesões na medula espinhal. No entanto, especialistas e órgãos reguladores reforçam que o tratamento ainda está em fase experimental e carece de comprovação científica definitiva.

Como funciona

A polilaminina é uma versão modificada da laminina, proteína encontrada naturalmente no organismo e essencial para a formação do sistema nervoso durante o desenvolvimento embrionário. Em casos de traumas medulares, a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo é interrompida. A aplicação da substância, idealmente nas primeiras 72 horas após a lesão, visa criar um suporte físico para que as células nervosas voltem a crescer e restabeleçam a transmissão de comandos motores e sensitivos.

Resultados e ressalvas

Dados de um estudo-piloto realizado com oito voluntários humanos e testes anteriores em cães mostraram resultados promissores, com relatos de recuperação parcial de movimentos e sensibilidade. Contudo, a comunidade científica adverte que esses números ainda não são estatisticamente conclusivos.

Um dos principais pontos de atenção é a ausência de um “grupo controle” — pacientes que recebem o tratamento padrão sem a nova substância —, o que impede distinguir a melhora causada pela polilaminina da recuperação espontânea, que ocorre em cerca de 15% dos casos de lesão completa. Além disso, a pesquisadora responsável admitiu recentemente a necessidade de revisar dados e gráficos de publicações preliminares.

Próximos passos

Para que a polilaminina se torne um tratamento acessível no Sistema Único de Saúde (SUS), ela precisa percorrer o rito regulatório obrigatório:

  • Fase 1: Testes em um grupo pequeno de voluntários para garantir que a substância não é tóxica (etapa autorizada pela Anvisa para ocorrer no Hospital das Clínicas da USP).
  • Fases 2 e 3: Testes em larga escala para determinar a dose ideal e confirmar a eficácia real comparada a placebos.
  • Registro: Aprovação final pela Anvisa para comercialização e uso clínico.

Até o momento, o uso da substância fora de protocolos de pesquisa só é permitido em caráter excepcional e sob critérios rigorosos de “uso compassivo”. A recomendação médica atual é que pacientes e familiares mantenham a expectativa moderada enquanto os novos testes clínicos não trazem respostas definitivas sobre a segurança do biofármaco.

Fonte: Agência Brasil

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