Crise no SAAE e reordenamento escolar acirram ânimos na Câmara de Alagoinhas.
Em sessão marcada por embates, oposição denuncia “distanciamento” da gestão municipal; liderança do governo justifica cortes e cita equilíbrio fiscal ALAGOINHAS – A sessão ordinária da Câmara Municipal de Alagoinhas, realizada nesta quinta-feira (26), foi palco de um confronto direto entre as narrativas da bancada de oposição e a liderança do governo. O debate, que […]
Em sessão marcada por embates, oposição denuncia “distanciamento” da gestão municipal; liderança do governo justifica cortes e cita equilíbrio fiscal
ALAGOINHAS – A sessão ordinária da Câmara Municipal de Alagoinhas, realizada nesta quinta-feira (26), foi palco de um confronto direto entre as narrativas da bancada de oposição e a liderança do governo. O debate, que teve como eixos centrais o reordenamento das escolas rurais e a crise financeira do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), expôs as fissuras entre a estratégia de austeridade da prefeitura e as demandas das comunidades periféricas.
O impasse no campo
O vereador Luciano Almeida (oposição) subiu à tribuna com um tom de denúncia, focando na situação da comunidade do Encantado. Segundo o parlamentar, a população local atingiu o limite da paciência após sucessivas reuniões desmarcadas pela gestão. Almeida informou o protocolo de um abaixo-assinado que exige a presença física do prefeito na localidade, criticando o que chamou de “governo do faz de conta”.
“Não se pode fazer reordenamento escolar ignorando a logística. Estão retirando escolas de campo enquanto as estradas vicinais permanecem precárias, inviabilizando o acesso dessas famílias”, afirmou Almeida, conectando a reforma educacional ao déficit de infraestrutura.
Em contrapartida, o líder do governo, vereador Thor de Ninha, atuou na contenção de danos. O parlamentar negou qualquer intenção de o Executivo esquivar-se do diálogo, atribuindo a ausência de reuniões a “desencontros de agenda” e dificuldades logísticas. Segundo Ninha, a gestão municipal mantém o compromisso de ouvir a comunidade, mas enfrenta um calendário sobrecarregado por outras prioridades administrativas.
A “Lei de Conta Justa” e o rombo no SAAE
A crise no SAAE, autarquia responsável pelo saneamento, ganhou contornos técnicos com a apresentação do Projeto de Lei nº 25 de 2026. Proposto pelos vereadores Luma Menezes, Luciano Almeida e Jaldice Nunes, o texto institui a “Lei de Conta Justa”. O objetivo é limitar a cobrança da tarifa de esgoto, hoje em 80% sobre o consumo de água.
A oposição fundamentou a proposta no déficit estimado de R$ 30 milhões enfrentado pela autarquia. Para os autores do projeto, a tarifa atual é abusiva, uma vez que o cidadão estaria sendo penalizado para sanear as contas de uma gestão deficitária, sem receber a devida contrapartida em melhorias no abastecimento.
Austeridade sob justificativa climática
Defendendo as medidas de contingenciamento da prefeitura, Thor de Ninha recorreu a argumentos de responsabilidade fiscal. Ele justificou o decreto de cortes de gastos como uma “austeridade necessária” diante de fatores externos.
“O município enfrenta um estado de emergência causado pelas chuvas e o impacto financeiro da desoneração da folha de pagamento”, pontuou o líder governista. Para a situação, o equilíbrio das contas públicas é a prioridade imediata, justificando a redução na capacidade de investimento e a manutenção de taxas que garantam a saúde financeira do município e de suas autarquias.
A matéria segue agora para as comissões temáticas da Casa, onde o projeto de lei sobre a tarifa de esgoto deve enfrentar nova rodada de discussões técnicas e políticas.
Fonte: ASCON Câmara de Alagoinhas