domingo, 20 de setembro de 2026
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COP17: Mongólia sedia conferência da ONU focada no combate à seca e ampliação de financiamento.

A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) teve início nesta segunda-feira (17), em Ulaanbaatar, capital da Mongólia. Com a presença de representantes de 196 países e da União Europeia, o evento se estende até o dia 28 de agosto com o objetivo central de estruturar soluções concretas para a governança da […]

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Por Paulo Pinheiro 17 de agosto de 2026 às 15:19 · 3 min de leitura

A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) teve início nesta segunda-feira (17), em Ulaanbaatar, capital da Mongólia. Com a presença de representantes de 196 países e da União Europeia, o evento se estende até o dia 28 de agosto com o objetivo central de estruturar soluções concretas para a governança da seca, a restauração de ecossistemas e a segurança hídrica e alimentar global.

Diferente de edições anteriores, o encontro deste ano prioriza a implementação das políticas acordadas. Segundo a secretária-executiva da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), Yasmine Fouad, a expectativa é de que a conferência consiga transformar os debates teóricos em resultados mensuráveis. A estratégia passa pelo fortalecimento de ferramentas práticas, o estabelecimento de parcerias e a otimização de mecanismos de financiamento para converter os planos diplomáticos em ações efetivas nos territórios.

O desafio financeiro, no entanto, figura como o principal entrave das negociações. Louise Baker, diretora-gerente do Mecanismo Global da UNCCD, pontuou que alcançar as metas de recuperação de terras degradadas até 2030 exigiria investimentos na ordem de US$ 1 bilhão por dia — um patamar consideravelmente superior à atual alocação de recursos. A diretriz defendida na COP17 é utilizar o financiamento público como um catalisador para reduzir riscos e atrair maior capital privado. O argumento é o de que a conservação dos recursos naturais oferece retornos econômicos sólidos, interessando diretamente a indústrias como as de alimentos, moda e farmacêutica.

Participação brasileira e protagonismo indígena

Durante a cúpula, as nações devem reportar seus respectivos avanços em relação à Neutralidade da Degradação da Terra (LDN). O Brasil apresentará, de forma inédita, o seu conjunto de metas nacionais voltadas para a contenção da perda de solo. Um levantamento do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) aponta que, em 2020, o país já possuía cerca de 55 milhões de hectares afetados pelo processo de degradação.

Para conter o avanço do problema, Alexandre Pires, diretor do Departamento de Combate à Desertificação do MMA, destaca que a política brasileira se apoia na preservação de unidades de conservação e na garantia dos direitos territoriais das populações tradicionais, vetores fundamentais para as metas de restauração.

Como reflexo direto dessa estratégia sociopolítica, a COP17 inaugura um espaço oficial exclusivo para a articulação de povos indígenas, inovação proposta pela própria delegação do Brasil na conferência anterior (COP16). A medida formaliza o reconhecimento de que as comunidades tradicionais, sobretudo as que habitam zonas semiáridas, são as mais impactadas pelas mudanças climáticas e, por isso, devem ter participação ativa no centro das decisões da Convenção.

Fonte: Agência Brasil.

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