Mulheres assumem papel central no cuidado de autistas no Brasil, aponta levantamento.
Pesquisa inédita indica que diagnóstico precoce no país já se iguala ao padrão internacional; Ministério da Saúde anuncia investimento de R$ 83 milhões para ampliar assistência BRASÍLIA – A responsabilidade pelo cuidado de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil recai majoritariamente sobre as mulheres. É o que revela o “Mapa do Autismo […]
Pesquisa inédita indica que diagnóstico precoce no país já se iguala ao padrão internacional; Ministério da Saúde anuncia investimento de R$ 83 milhões para ampliar assistência
BRASÍLIA – A responsabilidade pelo cuidado de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil recai majoritariamente sobre as mulheres. É o que revela o “Mapa do Autismo no Brasil”, estudo inédito realizado pelo Instituto Autismos com mais de 23 mil participantes. Os dados antecipados indicam que a maioria dessas cuidadoras enfrenta dificuldades de inserção no mercado de trabalho devido à dedicação exclusiva exigida pela rotina de terapias e assistência.
O levantamento, que será publicado na íntegra no dia 9 de abril, traz um dado positivo para o cenário nacional: a idade média do diagnóstico no país está em torno dos quatro anos, alinhando-se aos padrões internacionais. A identificação precoce é considerada fundamental por especialistas para garantir o acesso a tratamentos que estimulem o desenvolvimento da criança desde cedo.
Impacto financeiro e rede de apoio
A pesquisa destaca o peso econômico para as famílias, que chegam a gastar mais de R$ 1 mil mensais com intervenções terapêuticas. De acordo com o instituto, a maior parte dos assistidos utiliza planos de saúde para custear o tratamento, embora nas regiões Norte e Nordeste a dependência do Sistema Único de Saúde (SUS) seja mais acentuada.
Casos como o da advogada Anaiara Ribeiro, de 43 anos, ilustram os desafios estruturais. Após o diagnóstico do filho, hoje com 18 anos, ela precisou deixar o emprego formal para atuar como autônoma e garantir o acompanhamento do jovem. O abandono parental — físico ou financeiro — por parte dos pais também aparece como um traço comum no cotidiano dessas mulheres.
Políticas públicas
Em resposta à demanda crescente, o governo federal anunciou o repasse de R$ 83 milhões para a rede de assistência. O investimento visa a habilitação de 59 novos serviços, incluindo Centros Especializados em Reabilitação (CER) e oficinas ortopédicas. Segundo o Ministério da Saúde, o objetivo é estruturar uma linha de cuidado que vá desde a atenção primária até o atendimento multidisciplinar especializado.
Atualmente, o IBGE estima que existam cerca de 2,4 milhões de autistas no Brasil. Para as organizações do setor, a visibilidade dos dados é o primeiro passo para que o poder público receba recomendações assertivas e para que as famílias possam assegurar direitos previstos em lei, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e políticas de inclusão escolar.
Fonte: Agência Brasil