Excesso de chuvas e redução de área plantada elevam preço do feijão em todo o País.
SÃO PAULO – O prato principal do brasileiro está mais caro. O preço do feijão registrou alta em todas as capitais do País em março, impulsionado por um cenário de instabilidade climática e redução na área de cultivo. O fenômeno é o principal responsável pela pressão inflacionária nos itens da cesta básica, que teve alta […]
SÃO PAULO – O prato principal do brasileiro está mais caro. O preço do feijão registrou alta em todas as capitais do País em março, impulsionado por um cenário de instabilidade climática e redução na área de cultivo. O fenômeno é o principal responsável pela pressão inflacionária nos itens da cesta básica, que teve alta em todas as 27 capitais monitoradas pelo Dieese e pela Conab.
De acordo com o levantamento, o feijão carioca apresentou as maiores variações, chegando a subir 21,48% em Belém. Já o feijão preto, consumido majoritariamente no Sul e em partes do Sudeste, teve altas de até 7,17% em Florianópolis. A escassez de oferta é o fator central: o excesso de chuvas no Paraná e na Bahia prejudicou a colheita da primeira safra e gera incertezas sobre o rendimento da segunda.
Clima e Logística
A dinâmica de preços reflete uma quebra de produtividade. Segundo o Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe), produtores que planejavam colher 60 sacas por hectare entregaram apenas metade em algumas regiões. Além do clima, o atraso no plantio em Mato Grosso do Sul forçou a substituição de variedades, reduzindo a disponibilidade do feijão carioca no mercado interno.
Atualmente, a saca do grão carioca é comercializada a R$ 350, enquanto o preto circula em torno de R$ 200. Analistas do setor preveem que o alívio nos preços ocorra apenas entre agosto e outubro, com a entrada da safra irrigada.
Impacto no Orçamento
O aumento do feijão, somado à alta de itens como batata e leite, elevou o custo de vida. São Paulo lidera como a capital com a cesta básica mais cara do Brasil (R$ 883,94), seguida pelo Rio de Janeiro (R$ 867,97).
Para o trabalhador que recebe o salário mínimo de R$ 1.621,00, o comprometimento da renda líquida para a compra de alimentos básicos subiu para 48,12% em março, contra 46,13% no mês anterior. Na prática, são necessárias cerca de 97 horas de trabalho mensais apenas para garantir a alimentação básica de uma pessoa adulta.
Apesar da estimativa da Conab de uma produção total superior a 3 milhões de toneladas para o ciclo 2024/2025, o setor mantém o alerta ligado devido à volatilidade dos custos de combustíveis e fertilizantes, que ainda não foram totalmente repassados ao consumidor final.
Fonte: PRF