Sob ameaça de intervenção, Cuba intensifica monitoramento de forças militares dos EUA.
O governo cubano ampliou o escrutínio sobre as movimentações logísticas e militares dos Estados Unidos na região do Caribe. A medida é uma resposta direta a recentes declarações de Donald Trump, que sugeriu a possibilidade de “tomar” a ilha. Para Havana, a vigilância constante é uma estratégia de defesa histórica que ganha urgência diante da […]
O governo cubano ampliou o escrutínio sobre as movimentações logísticas e militares dos Estados Unidos na região do Caribe. A medida é uma resposta direta a recentes declarações de Donald Trump, que sugeriu a possibilidade de “tomar” a ilha. Para Havana, a vigilância constante é uma estratégia de defesa histórica que ganha urgência diante da atual vulnerabilidade econômica do país, intensificada por um severo estrangulamento energético.
De acordo com o diplomata José R. Cabañas Rodríguez, ex-embaixador nos EUA e atual diretor do Centro de Investigações de Política Internacional (Cipi), o risco de uma ação armada norte-americana acompanha Cuba desde a Revolução de 1959. Ele observa que essa possibilidade costuma voltar ao debate em Washington sempre que o país caribenho atravessa momentos de forte instabilidade. Além disso, Cabañas pontua que uma ofensiva exigiria pouco esforço logístico, uma vez que as tropas dos EUA já ocupam a base naval de Guantánamo, localizada no próprio território cubano.
A retórica agressiva ocorre em paralelo ao endurecimento do embargo econômico. A imposição de sanções a fornecedores internacionais deixou Cuba com um déficit crítico de combustível, provocando blecautes de até 24 horas no interior do país. Na Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Miguel Díaz-Canel classificou o bloqueio como “punição coletiva”, destacando o colapso de serviços básicos: milhares de cirurgias foram adiadas e tratamentos contínuos, como hemodiálise e radioterapia, operam sob risco iminente de interrupção.
Apesar de um alívio pontual com o desembarque de um petroleiro russo em março — carga suficiente para cobrir apenas um terço do consumo mensal —, o cenário de escassez impulsiona negociações pragmáticas com os EUA. Cabañas, no entanto, é categórico ao afirmar que Havana não aceitará concessões que firam sua soberania, exigindo que qualquer diálogo ocorra sob condições de igualdade e reciprocidade.
Na avaliação do governo cubano, a atual profusão de rumores sobre uma invasão iminente configura uma guerra psicológica voltada a desmoralizar a população. Como contrapeso, a diplomacia da ilha aposta na frente interna dos Estados Unidos. Na última semana, Díaz-Canel recebeu parlamentares do Partido Democrata críticos ao embargo e, em entrevista à emissora norte-americana NBC News, dirigiu-se à opinião pública dos EUA. O presidente enfatizou a existência de uma robusta rede de solidariedade internacional a favor de Cuba, mas garantiu que, caso o isolamento diplomático falhe e a intervenção militar se concretize, o país está preparado para o combate armado.
Fonte: EBC