Mercado financeiro eleva projeção da inflação para 4,89% e rompe teto da meta em 2026.
O mercado financeiro revisou para cima, pela oitava semana consecutiva, a projeção para a inflação no Brasil este ano. De acordo com o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (4) pelo Banco Central (BC), a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 4,86% para 4,89%. O percentual já ultrapassa o […]
O mercado financeiro revisou para cima, pela oitava semana consecutiva, a projeção para a inflação no Brasil este ano. De acordo com o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (4) pelo Banco Central (BC), a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 4,86% para 4,89%. O percentual já ultrapassa o teto da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
A meta central de inflação para 2026 é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, o que estabelece um limite superior aceitável de 4,5%. A sucessiva piora nas expectativas dos analistas reflete os impactos do conflito no Oriente Médio, que exerce pressão direta e contínua sobre os preços dos combustíveis e de alimentos no cenário global. Apenas em março, a inflação doméstica avançou 0,88%, impulsionada por transportes e alimentação, elevando o acumulado de 12 meses para 4,14%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Este cenário de repasse de preços externos impõe um desafio direto à condução da política monetária do país. Para ancorar as expectativas e tentar conter o avanço inflacionário, o Comitê de Política Monetária (Copom) baliza a economia por meio da taxa básica de juros (Selic). Na semana passada, apesar do cenário externo adverso, o colegiado optou por reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual, situando-a em 14,5% ao ano. Trata-se do segundo corte consecutivo desde que a Selic foi mantida no restritivo patamar de 15% — o maior nível em quase duas décadas — entre junho de 2025 e março deste ano.
Para o fechamento de 2026, as instituições consultadas pelo BC estimam que a taxa básica de juros recue a 13% ao ano. Em sua última comunicação oficial, o Copom não indicou o ritmo dos próximos cortes, mas ressaltou que monitora atentamente a extensão da guerra e seus desdobramentos sobre o encarecimento estrutural de cadeias produtivas globais.
Além da piora no cenário inflacionário, o mercado financeiro manteve inalteradas as previsões sobre a atividade econômica. A expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) permaneceu estável, com projeção de crescimento de 1,85% para este ano. No mercado de câmbio, o mercado estima que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,25.
No horizonte de longo prazo, a pesquisa Focus aponta um IPCA de 4% para 2027, recuando gradualmente para a faixa de 3,5% em 2029. Em paralelo, a Selic deve cair para 11% ao ano em 2027, estabilizando-se em 10% no fim da década, num movimento atrelado à expectativa de alívio nas tensões geopolíticas e normalização econômica.
Fonte: EBC