Mercado eleva projeção de inflação para 4,92% e prevê Selic a 13,25% no fim do ano.
A expectativa do mercado financeiro para a inflação e para os juros básicos voltou a registrar alta no Brasil. Pela décima semana consecutiva, analistas revisaram para cima a estimativa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), projetando que o indicador oficial de preços encerrará 2026 aos 4,92%. Os dados constam no Boletim Focus, […]
A expectativa do mercado financeiro para a inflação e para os juros básicos voltou a registrar alta no Brasil. Pela décima semana consecutiva, analistas revisaram para cima a estimativa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), projetando que o indicador oficial de preços encerrará 2026 aos 4,92%. Os dados constam no Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, 18, pelo Banco Central.
O novo patamar consolidado pelo Focus consolida o distanciamento da inflação em relação ao teto da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O objetivo central perseguido pela autoridade monetária é de 3%, com margem de tolerância até o limite de 4,5%. Há quatro semanas, a estimativa do mercado já indicava o rompimento do teto, apontando para 4,8%. O cenário, no entanto, deve apresentar convergência gradual nos anos seguintes, com as projeções cedendo para 4% em 2027 e 3,65% em 2028.
Apesar do viés de alta na projeção anual consolidada, a dinâmica de curtíssimo prazo mostrou relativo arrefecimento. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação brasileira desacelerou em abril e marcou 0,67%, impulsionada sobretudo pelos preços do grupo de alimentos e bebidas, que registrou avanço de 1,34%.
Juros, câmbio e atividade econômica
Para ancorar as expectativas e tentar reconduzir os preços à meta, o mercado sinaliza uma política monetária mais dura no horizonte. A estimativa para a taxa básica de juros, a Selic, sofreu um acréscimo de 0,25 ponto porcentual e passou para 13,25% ao ano no fechamento de 2026. Atualmente, a taxa definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) encontra-se em 14,5% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é de flexibilização, levando os juros a 11,25% e 10%, respectivamente.
Em contrapartida à piora das estimativas de inflação e juros, as projeções para o câmbio e o nível de atividade permaneceram estáveis. A mediana das avaliações indica que o Produto Interno Bruto (PIB) deve fechar este ano com um crescimento de 1,85% — a mesma taxa mantida nas últimas três semanas.
Para a moeda americana, o boletim aponta que o dólar deve terminar 2026 cotado a R$ 5,20, com trajetória de leve valorização nos calendários seguintes: R$ 5,27 em 2027 e R$ 5,34 em 2028.
Fonte: EBC