No Dia da África, Brasil consolida guinada diplomática e amplia acordos com o continente.
Brasília – O governo brasileiro aproveitou as celebrações do Dia da África, nesta segunda-feira, 25, para reafirmar a estratégia de reaproximação com o continente africano. Impulsionada pelo fechamento de mercados nos países desenvolvidos, a diplomacia nacional aposta na diversificação de parceiros comerciais e no estreitamento de laços históricos e culturais. Desde o início do atual […]
Brasília – O governo brasileiro aproveitou as celebrações do Dia da África, nesta segunda-feira, 25, para reafirmar a estratégia de reaproximação com o continente africano. Impulsionada pelo fechamento de mercados nos países desenvolvidos, a diplomacia nacional aposta na diversificação de parceiros comerciais e no estreitamento de laços históricos e culturais.
Desde o início do atual mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já realizou sete viagens à região, passando por nações como África do Sul, Angola, Egito e Moçambique. O fluxo diplomático também ocorreu no sentido inverso, com a recepção de seis chefes de Estado africanos em Brasília. A movimentação resultou em uma série de acordos bilaterais em setores estratégicos como defesa, saúde, educação, agricultura e aviação civil.
Segundo o embaixador Carlos Sérgio Sobral Duarte, secretário de África e Oriente Médio do Ministério das Relações Exteriores, a guinada brasileira é pragmática. Diante do crescente protecionismo no Hemisfério Norte, o continente africano – com 1,5 bilhão de habitantes, sendo 60% com menos de 25 anos – representa um mercado de alto potencial econômico e demográfico.
Reparação e parceria
A aproximação, contudo, transcende a balança comercial. As relações são profundamente marcadas pelo passado escravocrata: entre os séculos XVI e XIX, o Brasil foi o destino de cerca de 4,8 milhões de africanos escravizados. Em reconhecimento a essa dívida histórica, o Ministério da Cultura formalizou, em abril deste ano, uma parceria com Angola para integrar arquivos sobre a escravidão e fomentar o intercâmbio artístico.
A postura brasileira nos fóruns internacionais também tem agradado aos parceiros do outro lado do Atlântico. O recente voto do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU) para classificar a escravização de africanos como o maior crime contra a humanidade da história foi publicamente elogiado pelo decano do corpo diplomático africano em Brasília, o embaixador de Camarões, Martin Agbor Mbeng.
Durante cerimônia no Itamaraty nesta segunda-feira, Mbeng destacou o papel de instituições como Embrapa, Fiocruz e CNPq na cooperação técnica, ressaltando uma mudança de paradigma. Para o diplomata, o Brasil se diferencia ao construir programas “com a África, e não para a África”, pautando a relação multilateral no planejamento e na responsabilidade compartilhados.
A agenda do Dia da África na capital federal incluiu ainda um seminário no Ministério das Relações Exteriores e o 1º Fórum de Reitores Brasil-África, promovido pelo Ministério da Educação.
Fonte: Agência Brasil.