sábado, 19 de setembro de 2026
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Fim da jornada 6×1 divide sindicatos e setor produtivo após aprovação na Câmara.

A aprovação do fim da escala de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso) pela Câmara dos Deputados, na noite de quarta-feira, 27, deflagrou um embate direto entre representantes dos trabalhadores e do setor patronal. Enquanto centrais sindicais celebram a medida como uma conquista histórica por qualidade de vida, entidades da indústria […]

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Por Paulo Pinheiro 28 de maio de 2026 às 20:24 · 3 min de leitura

A aprovação do fim da escala de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso) pela Câmara dos Deputados, na noite de quarta-feira, 27, deflagrou um embate direto entre representantes dos trabalhadores e do setor patronal. Enquanto centrais sindicais celebram a medida como uma conquista histórica por qualidade de vida, entidades da indústria e do agronegócio alertam para o risco de aumento de custos, inflação e insegurança jurídica. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) segue agora para análise do Senado.

Para a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Força Sindical e a União Geral dos Trabalhadores (UGT), a mudança atende a uma reivindicação de décadas. Em nota conjunta, as entidades creditaram o avanço à mobilização social e à articulação no Congresso, com o respaldo do governo federal. Segundo o grupo, a redução da jornada garante aos profissionais mais tempo para a família, lazer e cuidados com a saúde, alinhando o Brasil a modelos internacionais que teriam registrado aumento de produtividade.

No campo, a Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais (Contag) endossou a decisão. De acordo com a presidente da entidade, Vania Marques, o fim da jornada exaustiva, sem redução salarial, reafirma que o desenvolvimento econômico não pode se sustentar na sobrecarga de quem produz.

Na contramão, o setor produtivo classifica a medida como inoportuna e potencialmente prejudicial à economia. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) argumenta que a redução da carga horária imposta por lei, sem um período de transição adequado ou ganhos equivalentes de produtividade, tende a encarecer produtos e serviços. A instituição defende que ajustes na jornada deveriam ocorrer via negociações coletivas, respeitando a capacidade de adaptação de cada segmento, e não sob a pressão de um ano eleitoral.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) adotou tom mais duro, considerando a votação um “grave retrocesso”. Para a Fiesp, o Congresso promoveu um rompimento abrupto de contratos em vigor, ferindo o princípio da segurança jurídica e anulando décadas de convenções coletivas.

O impacto também é temido no agronegócio. A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) calculou que a nova regra pode gerar um custo adicional de R$ 4,1 bilhões apenas ao setor no estado. O presidente da entidade, Ágide Eduardo Meneguette, destacou que a atividade agrícola possui demandas sazonais específicas que exigem trabalho contínuo. Segundo ele, a limitação de dias obrigará os produtores a arcar com um volume expressivo de horas extras ou a contratar mais mão de obra, comprometendo a eficiência no campo.

Com posições diametralmente opostas, tanto frentes sindicais quanto federações empresariais já anunciaram que manterão forte pressão sobre os parlamentares. O próximo e decisivo palco da disputa será o Senado, responsável por dar o veredicto final sobre a alteração constitucional.

Fonte: Agência Brasil

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