Confira o boletim epidemiológico divulgado pela prefeitura de Alagoinhas.
O município de Alagoinhas, na Bahia, enfrenta um avanço expressivo das arboviroses nos primeiros meses de 2026. Impulsionada pela proliferação do mosquito Aedes aegypti, a cidade contabilizou 1.052 infecções confirmadas por chikungunya entre janeiro e maio. Para frear a transmissão, a prefeitura ampliou a aplicação de “fumacê” e adotou uma ofensiva mais rigorosa contra proprietários […]
O município de Alagoinhas, na Bahia, enfrenta um avanço expressivo das arboviroses nos primeiros meses de 2026. Impulsionada pela proliferação do mosquito Aedes aegypti, a cidade contabilizou 1.052 infecções confirmadas por chikungunya entre janeiro e maio. Para frear a transmissão, a prefeitura ampliou a aplicação de “fumacê” e adotou uma ofensiva mais rigorosa contra proprietários de lotes abandonados, que agora estão sujeitos a multas superiores a R$ 1 mil caso mantenham criadouros do vetor.
Os dados constam no boletim epidemiológico divulgado nesta segunda-feira, 1º, pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). Ao todo, o sistema público registrou 2.584 notificações de doenças transmitidas pelo mosquito em cinco meses. Além da explosão de chikungunya, foram confirmados 189 casos de dengue e seis de zika vírus. O cenário ainda pode sofrer alterações significativas, uma vez que 876 diagnósticos suspeitos permanecem em investigação.
A incidência das infecções não ocorre de forma homogênea, estando concentrada em pólos específicos. O bairro Jardim Petrolar desponta como a área mais crítica, respondendo por mais de 23% dos casos de chikungunya e 20% dos de dengue. As regiões do Centro e de Teresópolis também figuram no topo das estatísticas locais.
O risco estrutural de novos surtos é medido pelo Índice de Infestação Predial (IIP). A média da cidade está em 1,78%, percentual classificado como estado de alerta. No entanto, o recorte por bairros expõe locais de extrema vulnerabilidade: no Parque da Jaqueira, o indicador atinge 8,82%, sinalizando um risco altíssimo de reprodução do inseto — muito acima do limite considerado aceitável pelas autoridades sanitárias.
Ofensiva jurídica e bloqueios químicos
Para além das abordagens de rotina, como a visita de agentes de endemias a mais de 1.700 quarteirões para tratamento focal, a estratégia de mitigação agora envolve o governo estadual e sanções financeiras. O reforço da pulverização por UBV Pesado (o tradicional fumacê) está mapeado para alcançar 46 mil imóveis situados nas poligonais com maior índice de infestação.
O foco da nova atuação jurídica mira os imóveis fechados ou ociosos. Terrenos que acumulam lixo, entulho ou restos de construção tornam-se berçários potenciais para o mosquito. A partir de agora, proprietários flagrados com áreas negligenciadas terão cinco dias após a notificação para limpar o espaço. Caso o prazo seja ignorado, a própria prefeitura assumirá a roçagem e a limpeza do terreno, mas os custos operacionais — somados a uma multa que pode chegar a R$ 1.040 — serão lançados no nome do dono do imóvel.
A vigilância epidemiológica reitera que o controle efetivo exige adesão civil. A recomendação primária é que os moradores dediquem dez minutos semanais para vistoriar calhas, caixas d’água e ralos, eliminando qualquer acúmulo de água parada. Diante da manifestação de sintomas agudos (como febre alta, dores articulares limitantes ou dor retro-orbital), o paciente deve buscar uma unidade de saúde imediatamente e suspender qualquer tipo de automedicação.
Fonte: SECOM Alagoinhas.