sábado, 19 de setembro de 2026
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EUA enquadram facções brasileiras como terroristas; medida amplia tensão comercial e diplomática.

Entrou em vigor nesta sexta-feira (5) a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as principais facções criminosas brasileiras, a exemplo do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas globais. A deliberação frustra os esforços do Itamaraty, que tentava reverter a medida nos últimos meses devido ao risco […]

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Por Paulo Pinheiro 5 de junho de 2026 às 15:11 · 2 min de leitura

Entrou em vigor nesta sexta-feira (5) a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as principais facções criminosas brasileiras, a exemplo do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas globais. A deliberação frustra os esforços do Itamaraty, que tentava reverter a medida nos últimos meses devido ao risco de sanções econômicas severas e à ameaça de intervenção na soberania nacional.

A nova designação transcende a agenda de segurança pública e avança sobre o setor produtivo. A principal preocupação do governo brasileiro recai sobre o aumento dos custos de conformidade (compliance) para empresas nacionais e o possível encarecimento das operações bilaterais. O alerta ganhou contornos práticos quando, apenas quatro dias após o anúncio da Casa Branca, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA recomendou uma sobretaxa de 25% sobre as importações do Brasil, justificando a ação com base em supostas práticas comerciais desleais.

Para o Ministério das Relações Exteriores, a rotulação abre um precedente jurídico perigoso. O temor é de que a política de Washington sirva de pretexto legal para sanções indiscriminadas ao sistema financeiro brasileiro ou até mesmo para operações militares em território nacional.

A ofensiva de Washington sob a bandeira do “narcoterrorismo” insere-se em um contexto regional mais amplo. A política externa norte-americana tem utilizado esse expediente para justificar ações recentes na América Latina, como os bombardeios a embarcações no Mar do Caribe e a investida contra o então presidente venezuelano, Nicolás Maduro. A estratégia também tem gerado atritos com o México, cuja presidente, Claudia Sheinbaum, denunciou publicamente as pressões dos EUA como interferência indevida em assuntos internos.

Diante do impasse, o governo brasileiro articula respostas para blindar sua economia. Enquanto o Ministério da Fazenda detalha os setores produtivos mais vulneráveis à potencial tarifa de 25%, autoridades do país traçam linhas vermelhas nas negociações. Segundo o Ministério da Fazenda, concessões envolvendo sistemas financeiros internos e estratégicos, como o Pix, estão fora de qualquer mesa de barganha com os norte-americanos.

Fonte: Agência Brasil

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