EUA e Irã selam acordo preliminar para cessar-fogo e reabertura do Estreito de Ormuz.
Tratado recua preço do petróleo e prevê trégua de 60 dias, mas esbarra na resistência de Israel e no impasse sobre o programa nuclear iraniano. Estados Unidos e Irã firmaram um acordo preliminar para suspender o recente conflito militar no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz, rota essencial para o escoamento global de […]
Tratado recua preço do petróleo e prevê trégua de 60 dias, mas esbarra na resistência de Israel e no impasse sobre o programa nuclear iraniano.
Estados Unidos e Irã firmaram um acordo preliminar para suspender o recente conflito militar no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz, rota essencial para o escoamento global de energia. O acerto foi anunciado no domingo, 14, pelo presidente americano, Donald Trump, após mediação do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. A assinatura oficial do memorando de entendimento ocorrerá nesta sexta-feira, 19, na Suíça.
A sinalização de paz provocou reação imediata no mercado de commodities. Os contratos futuros do petróleo tipo Brent registraram queda de 4% na abertura dos pregões de segunda-feira, 15. A retração reflete o fim de meses de restrições na região. Trump ordenou a suspensão do bloqueio aos portos iranianos, enquanto Teerã se comprometeu a liberar a via marítima.
Embora represente o maior avanço diplomático desde que EUA e Israel iniciaram ataques conjuntos contra o território iraniano, em fevereiro, o pacto apresenta desafios estruturais. O documento estabelece um cessar-fogo de 60 dias. Nesse período, as partes debaterão duas questões centrais: o programa nuclear do Irã e a suspensão de sanções econômicas impostas por Washington.
Fontes ligadas às negociações indicam que os Estados Unidos avaliam liberar US$ 25 bilhões em ativos iranianos congelados. Em contrapartida, Washington exige o desmantelamento completo das reservas de urânio altamente enriquecido. O governo iraniano, que historicamente nega a intenção de fabricar armas nucleares, propõe apenas a diluição interna do material.
Resistência israelense
A eficácia do cessar-fogo imediato em todas as frentes encontra forte resistência em Israel, sobretudo em relação ao Líbano. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, rejeitou as pressões de Trump pela interrupção das ofensivas. Katz assegurou que as Forças Armadas do país permanecerão na Faixa de Gaza, na Síria e no Líbano por tempo indeterminado para proteger suas fronteiras, e ameaçou retaliar caso o Irã intervenha. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu endossou a postura de manter a autonomia militar de Israel, contrariando a principal exigência iraniana para o avanço da trégua.
Contexto e pressão política
Para o governo Trump, o alívio na crise tem forte apelo eleitoral. A disparada nos preços dos combustíveis vinha desgastando o Partido Republicano às vésperas das eleições de meio de mandato (midterms), marcadas para novembro. Por outro lado, a ala conservadora norte-americana cobra do presidente uma postura dura que garanta a extinção do aparato nuclear iraniano.
A crise atual tem origens na gestão anterior do próprio republicano, que, em seu primeiro mandato, retirou os EUA do acordo nuclear multilateral de 2015. Desde o rompimento, Teerã acelerou seu enriquecimento de urânio, acumulando mais de 400 quilos de material com pureza próxima à necessária para fins bélicos. Agora, o sucesso da nova etapa diplomática – que já conta com o apoio cauteloso da União Europeia – dependerá de negociações rápidas antes que o prazo de 60 dias expire.
Fonte: Agência Brasil.