Alagoinhas debate Plano de Mobilidade Urbana com diretrizes para a próxima década.
A Câmara de Vereadores de Alagoinhas sediou na última quinta-feira, 16, uma audiência pública para a apresentação do Plano Municipal de Mobilidade Urbana (Plamob). O projeto técnico estabelece as diretrizes que vão orientar as políticas de transporte e infraestrutura viária da cidade pelos próximos dez anos. Elaborado com recursos internos da prefeitura e sem gerar […]
A Câmara de Vereadores de Alagoinhas sediou na última quinta-feira, 16, uma audiência pública para a apresentação do Plano Municipal de Mobilidade Urbana (Plamob). O projeto técnico estabelece as diretrizes que vão orientar as políticas de transporte e infraestrutura viária da cidade pelos próximos dez anos.
Elaborado com recursos internos da prefeitura e sem gerar custos adicionais com consultorias privadas, o documento funciona como um guia para os futuros investimentos públicos. As frentes de atuação previstas no texto incluem a modernização do sistema de transporte coletivo, a expansão e requalificação de calçadas e ciclovias, o reforço nas ações de segurança no trânsito e a promoção da acessibilidade por meio de novas tecnologias.
Durante o encontro, moradores e operadores do sistema de transporte puderam avaliar os eixos estratégicos e apresentar sugestões. As demandas recolhidas na audiência servirão para subsidiar eventuais ajustes no projeto de lei antes que ele seja encaminhado para a votação definitiva no Legislativo. De acordo com a assessora técnica Flávia Manoela Barbosa, a etapa de escuta popular é fundamental para garantir transparência e respaldo legal à formulação do plano.
O secretário de Mobilidade e Ordem Pública, Hilton Ribeiro, classificou a elaboração do projeto como parte de uma modernização jurídica em curso no município. O Plamob se soma a um pacote de normativas recentemente aprovadas ou atualizadas durante a gestão do prefeito Gustavo Carmo, que abrange o Plano Diretor de Desenvolvimento Municipal (PDDM) e os novos códigos de Obras, de Meio Ambiente, Urbanístico e de Vigilância Sanitária.
Análise: O que está em jogo com o novo Plamob?
Para além do anúncio oficial, a formulação do Plano Municipal de Mobilidade Urbana exige uma leitura atenta do cenário estrutural, político e social. O projeto não é apenas uma carta de intenções, mas o documento-base que ditará o ritmo do desenvolvimento de Alagoinhas até a próxima década.
O Xadrez Político e o “Combo” Legislativo
A articulação em torno do projeto revela o peso político da pauta. O Plamob é apresentado não como uma ação isolada, mas como a peça que faltava em um amplo projeto de ordenamento urbano, alinhado ao PDDM e aos novos códigos. O desafio agora é garantir que esses documentos dialoguem de forma realista. É preciso observar se essas diretrizes atuarão como facilitadoras para as futuras administrações ou se correm o risco de se tornarem apenas “leis de vitrine”, inexequíveis na prática.
O Fator Econômico: Solução Caseira
O destaque institucional dado à elaboração do plano sem a contratação de consultorias privadas é um forte argumento administrativo e poupa os cofres públicos. No entanto, planos de mobilidade para municípios como Alagoinhas — um importante polo regional, comercial e universitário — exigem modelagens de dados complexas e engenharia de tráfego avançada. A questão central é atestar se as secretarias dispunham de todo o aparato técnico e estatístico necessário para desenhar o trânsito da cidade com a precisão exigida.
O Desafio do Asfalto vs. Papel
O documento acerta ao mirar nas feridas históricas do município, prometendo requalificação de calçadas e modernização do transporte. Contudo, a validação legislativa é apenas a etapa inicial. O grande teste do Plamob será a execução orçamentária. As metas traçadas precisam estar rigorosamente vinculadas a fontes de financiamento reais dentro da Lei Orçamentária Anual (LOA), evitando que o plano se perca pela falta de verba.
O Sistema de Transporte em Foco
A participação direta dos operadores do sistema de transporte durante a audiência expõe o ponto mais sensível da mobilidade. Historicamente, a relação entre o poder público e as concessionárias é marcada por tensões envolvendo tarifas, cumprimento de rotas e renovação de frota. O sucesso deste novo ordenamento dependerá diretamente da capacidade do texto final em equilibrar as demandas operacionais das empresas com a inegociável necessidade de modicidade tarifária e modernização exigida pela população.
Fonte: SECOM Alagoinhas.