Violência armada: Salvador atinge recorde histórico de perseguições policiais no semestre.
O primeiro semestre de 2026 registrou 98 perseguições policiais na Região Metropolitana de Salvador (RMS), o maior número absoluto da série histórica medida pelo Instituto Fogo Cruzado. No total, a região contabilizou 656 tiroteios entre janeiro e junho, resultando em 95 pessoas baleadas apenas durante as ocorrências de perseguição. O levantamento revela uma mudança na […]
O primeiro semestre de 2026 registrou 98 perseguições policiais na Região Metropolitana de Salvador (RMS), o maior número absoluto da série histórica medida pelo Instituto Fogo Cruzado. No total, a região contabilizou 656 tiroteios entre janeiro e junho, resultando em 95 pessoas baleadas apenas durante as ocorrências de perseguição.
O levantamento revela uma mudança na dinâmica dos confrontos. Embora o número absoluto de chacinas tenha diminuído na comparação com anos anteriores, 93% delas ocorreram durante operações das forças de segurança — a maior proporção desde o início do monitoramento, em 2022. Ao todo, 49 pessoas morreram nessas circunstâncias. A letalidade policial concentrou-se principalmente nos bairros de Nordeste de Amaralina e Pirajá, que responderam por 37% das mortes em chacinas.
Os indicadores apontam também para o impacto da violência armada sobre grupos distintos, incluindo faixas etárias vulneráveis e os próprios trabalhadores da segurança pública. Diferentemente do primeiro semestre de 2025, que não registrou crianças baleadas em ações policiais, duas foram atingidas em 2026. Entre os adolescentes, a alta foi de 36%, marcando o maior patamar da série histórica. Na outra ponta, o total de policiais e agentes de segurança baleados dobrou, sendo que 59% dessas vítimas estavam em horário de serviço quando foram feridas.
O risco à vida estendeu-se para o espaço doméstico. O número de pessoas atingidas por disparos dentro de suas próprias residências cresceu 17% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto os registros de feminicídio subiram 25%. Um dos episódios listados ocorreu no bairro do Barbalho, onde a cabo da Polícia Militar Celeste de Oliveira Martins foi assassinada dentro do apartamento em que morava pelo marido, também policial militar.
No mapeamento regional, Salvador isola-se como o município mais impactado, concentrando 74% de todos os tiroteios da Região Metropolitana. A capital baiana somou 473 confrontos, que deixaram 338 mortos e 126 feridos. Na sequência da RMS, aparecem Camaçari e Dias D’Ávila. Dentro do perímetro soteropolitano, Beiru/Tancredo Neves, São Cristóvão e Engenho Velho de Brotas despontam como os bairros de maior risco no semestre.