Ataque ao Irã sacode mercados: petróleo dispara e dólar volta a subir.
Ofensiva militar de EUA e Israel contra Teerã gera temor de bloqueio no Estreito de Ormuz; incerteza global pode afetar ritmo de queda dos juros no Brasil SÃO PAULO – O mercado financeiro global amanheceu sob forte tensão nesta segunda-feira (2), reagindo ao ataque militar conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã […]
Ofensiva militar de EUA e Israel contra Teerã gera temor de bloqueio no Estreito de Ormuz; incerteza global pode afetar ritmo de queda dos juros no Brasil
SÃO PAULO – O mercado financeiro global amanheceu sob forte tensão nesta segunda-feira (2), reagindo ao ataque militar conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã no último final de semana. A ofensiva, que resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei, provocou um salto imediato nos preços do petróleo e interrompeu a trajetória de queda do dólar, que operava nos menores níveis em quase dois anos.
O gargalo de Ormuz
O principal vetor de instabilidade é o Estreito de Ormuz. Por este canal, situado ao sul do Irã, trafegam diariamente cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás. Analistas alertam que qualquer interrupção logística na região reduz drasticamente a oferta global.
“O fechamento do estreito faz os preços explodirem quase instantaneamente”, explica Rodolpho Sartori, economista da Austin Rating. O reflexo foi nítido: o barril do tipo Brent chegou a registrar alta de 13% na abertura dos negócios, superando os US$ 80, antes de estabilizar próximo aos 7,6% (US$ 79) por volta do meio-dia.
Reflexos no Brasil e a “fuga para o risco”
No cenário doméstico, o impacto é duplo. Por um lado, as ações da Petrobras registraram alta superior a 3% na B3, acompanhando a valorização da commodity. Por outro, a valorização do dólar — que encostou nos R$ 5,20 — reflete o movimento de “fuga para o risco”: investidores retiram capital de mercados emergentes, como o Brasil, para buscar proteção em moedas fortes e ativos mais seguros.
Embora o Brasil seja exportador de óleo bruto, a dependência da importação de derivados pode encarecer combustíveis e produtos industriais, pressionando a inflação.
Impacto na política monetária
O conflito geopolítico surge em um momento sensível para o Banco Central brasileiro. O Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizava um corte na taxa Selic (atualmente em 15% ao ano) para a reunião de março.
Contudo, a pressão inflacionária vinda do petróleo e do câmbio pode forçar uma postura mais cautelosa. Segundo Otávio Oliveira, gerente do Banco Daycoval, existe a possibilidade de o corte ser “mais tímido” do que o esperado pelo mercado — passando de uma projeção de 0,50 ponto percentual para 0,25.
Perspectiva
Apesar da volatilidade, há fatores que podem amortecer o choque. A Opep+ já anunciou aumento na produção para suprir eventuais lacunas deixadas pelo Irã. No entanto, enquanto a segurança logística no Oriente Médio não for restabelecida, a tendência é de manutenção de preços elevados e instabilidade no câmbio.
Fonte: Agência Brasil